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Temer faz troca na Justiça para tentar seguir presidente


Torquato Jardim: novo ministro da Justiça com a missão de evitar saída de Temer da Presidência

 

O Piauí faz parte da história do novo ministro da Justiça, Torquato Jardim. Foi ele o advogado que, em 2001, defendendo causa de Hugo Napoleão, conseguiu cassar o então governador Mão Santa. Mas esse dado é só um detalhe na trajetória do ministro que ondem foi transferido do Ministério da Transparência para o da Justiça. A mudança de cargo tem a ver com a boa relação de Torquato com as cortes superiores e faz parte da ação final do presidente Michel Temer para se garantir no cargo.

As expectativas quanto ao futuro de Temer não são lá extraordinárias. Muitos veem poucas opções do presidente da República no processo que, na próxima semana, julga o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer. As evidências de uso de caixa 2 são enormes, e o relator do processor vai pedir a cassação da chapa inteira. Assim, resta ao presidente, para não perder o mandato, tentar ganhar tempo.

É aí que entra Torquato Jardim. Como ex-ministro do TSE e autor de livros de referência na área do Direito Eleitoral, Jardim é uma voz capaz de ser ouvida neste momento crítico. E Temer deseja ser ouvido às vésperas de um julgamento cujo a previsão lhe é desfavorável.

Além disso, o novo ministro da Justiça tem lastro jurídico muito, muito maior que o antecessor. Pode dialogar no mesmo nível, coisa que Osmar Serraglio tem de longe conseguia.

Mas os dois têm algo em comum: não são exatamente fãs da operação Lava Jato. Por isso mesmo, a indicação de Jardim Torquato é vista por muitos como mais uma barreira às investigações que vem tragando boa parte da elite política nacional.

 

Serraglio segue ministro para proteger Rocha Loures

Osmar Serraglio deixa o Ministério da Justiça mas vai para o lugar até ontem ocupado por seu sucessor, o Ministério da Transparência. A razão da troca de cadeiras é simples: se Serraglio, deputado pelo PMDB do Paraná, volta para a Câmara, o suplente que volta pra casa é Rocha Loures.

Quem é Loures? Ora, o sujeito da mala de R$ 500 mil, aquele que – segundo delação dos donos da JBS – foi intermediário do próprio presidente Michel Temer. E o Palácio do Planalto morre de medo que o homem da mala dê com a língua nos dentes. Seria um destroço.

Ao manter Loures no Congresso, Temer assegura a seu pupilo uma proteção especial, porque ele conserva o foro privilegiado. E, sem a pressão de Curitiba, ele pode resistir à tentação de se proteger através da delação premiada.