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Temer: vitória jurídica não diminui crise política


Michel Temer: vitória no TSE não diminui o tamanho da crise política vivida pelo Brasil

 

O presidente Michel temer, assim como a ex-presidente Dilma Rousseff, puderam comemorar ontem o resultado do julgamento no TSE. Dilma, já desapeada do poder, consegue manter os direitos políticos, e quem sabe, pleitear um cargo em 2018. Já o presidente consegue preservar o mandato. O problema é que a crise política não arrefece. Pelo contrário, até se complica, no rastro dos novos fatos – como o que revelou voo de Temer e família em jatinho de Joesley Batista, o dono da JBS.

A crise política podem comprometer seriamente, inclusive, as principais preocupações do governo Temer: as reformas. A reforma trabalhista está a ponto de der aprovada, com importantes concessões, como a retirada do item que acabava a contribuição sindical obrigatória. Sem isso, teria muitas dificuldades de passar no Senado.

No caso da reforma da Previdência, considerada a mais importante para reduzir o deficit fiscal e dar novo ritmo à economia, o futuro não é nada animador. Mesmo antes das delações da JBS, que chegaram a público na noite de 17 de maio, o governo fazia contas e mais contas para chegar a uma margem segura para aprovação da matéria. E as contas nunca chegavam.

Vale lembrar, a reforma da Previdência é mais complicada que a reforma trabalhista. Esta é tão somente um projeto de lei, que é aprovado com maioria simples. A reforma da Previdência exige uma emenda constitucional, que cobra quorum qualificado. Exatos 308 votos na Câmara, em dois turnos. Uma tarefa que já era difícil e se torna mais complicada agora, com um governo que mostra capacidade de agir nos tribunais mas que perde viço naquele que sempre foi sua fortaleza: o Congresso.

E como o governo Temer é um governo que está sempre no fio da navalha, com Dias D a cada semana, terá – mal superado o Dia D do julgamento do TSE – nesta segunda uma nova data capital. Será quando o PSDB se reúne para decidir se mantém ou não o apoio ao governo Temer.

Até aqui, os tucanos têm mantido a tradição e ficado em cima do muro, sem decidir sobre a matéria. É possível que assim permaneça depois de segunda, mas há um crescente sentimento dentro do partido pelo afastamento do governo. Se esse afastamento se confirmar, o governo Temer estará dando mais um passo no escuro da crise política.

E se isso se concretizar, a instabilidade política, marca dos últimos quatro, cinco anos no país, seguirá. E pode que ainda mais forte. E dessa crise, Temer não pode recorrer a nenhum tribunal para superar.