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Candidatura de Firmino é uma possibilidade, sim


Firmino Filho e Wellington Dias: os dois, hoje próximos, podem ser adversários em 2018

 

Em entrevista à Rádio e TV Cidade Verde, ontem, o prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), disse sem meias palavras: “não sou candidato a nada”. Acrescenta que uma candidatura é feita de muito diálogo, coisa que ele não está muito disposto a se dedicar.

Parece uma recusa categórica. Não é. A possibilidade de uma candidatura Firmino Filho – e ao governo do Estado – não pode ser descarta. E nem ele a descarta.

O cenário desenhado no momento deixa poucas alternativas à oposição para um competitivo enfrentamento à mais que provável candidatura de Wellington Dias (PT), que vai em busca de um quarto mandato no Palácio de Karnak. E Firmino, hoje razoavelmente próximo de Wellington, é o nome quase natural.

Mas para que o prefeito se transforme em candidato ao Karnak há um longo percurso. E muitas conversas – o tal diálogo que Firmino não tem se mostrado muito disposto a abraçar. Mas ele pode ter aliados que, se quiserem mudar para a oposição, podem muito bem cumprir esse papel de articulador, fazendo-se costureiro de uma aliança oposicionista.

O mais destacado desses interlocutores seria o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Em princípio, Ciro gostaria de seguir na aliança de Wellington. Mas não são poucos os petistas que se dedicam ao esporte de vaiar o líder dos Progressistas. Se calcular que pode ter problemas numa chama encabeçada por Wellington, Ciro não surpreenderá ninguém com a mudança de lado. Além disso, parece bem provável que PP e PT estarão em lados opostos na disputa pela Presidência da República, o que pode complicar a caminhada comum dos dois partidos, aqui.

Firmino poderia contar ainda com o PMDB do deputado Themístocles Filho – o mesmo PMDB que desembarcou de mala e cuia no governo de Wellington. Tal e qual o PP, o PMDB deve ser adversário do PT na corrida pelo Planalto, o que também complicaria a formalização de aliança no cenário estadual. Para completar, se Firmino sair para disputar o governo do Estado, a prefeitura cairia no colo do grupo de Themístocles, que indicou pessoalmente o vice da chapa do tucano, o ex-reitor Luís Santos Júnior.

Themístocles, aliás, é visto como um aliado necessário, imprescindível em uma eventual candidatura Firmino. Isto porque ninguém calcula que o tucano repetiria o erro de Silvio Mendes em 2010, que saiu candidato deixando a prefeitura na mão de um grupo (o PTB de Elmano Ferrer e João Vicente) que o enfrentaria na disputa pelo mesmo Palácio de Karnak.

Essa percepção é que fez Wellington Dias escancarar as portas do governo para o PMDB, na reforma administrativa de março passado. Ao acomodar tantos peemedebistas em postos importantes como a SASC e a Fundação Hospitalar, Wellington aproximou o PMDB de sua candidatura à reeleição.

Essa aproximação não é garantia de que os peemedebistas seguirão com o PT em 2018. Mas certamente reduz o ímpeto de marchar para a oposição. E isso é, sem dúvida, um complicador na construção de uma candidatura Firmino.