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Votação da Reforma Trabalhista mostra problemas do governo


Marta Suplicy e Ricardo Ferraço: amarga derrota com a Reforma Trabalhista em comissão do Senado

 

Poucas horas depois de desembarcar na Rússia, o presidente Michel Temer não conseguiu receber bons sinais do Brasil. Muito pelo contrário. Na manhã de ontem, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado mostrou que Temer pode estar sofrendo importantes abalados onde mais tem demonstrando força: no Congresso. E isso não é boa notícia para a votação das reformas patrocinadas pelo governo.

Foi uma sessão de muita confusão, para apreciação do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). A presidente da Comissão, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) mostrou-se irritada e bateu boca com membros da oposição. Foi chamada de autoritária. E não se importou, impondo o ritmo que queria. Mas no final das contas Marta e Ferraço amargaram importante derrota. Uma derrota de todo o governo.

 Sorte que a votação da reforma Trabalhista aprovada na Câmara e em apreciação no Senado, está na fase de comissões. Na CAS, o governo apostava em um placar de 12 a 7. Deu 9 a 10 – derrota que não era esperada. O Planalto respira porque, apesar do revés na comissão, a matéria pode seguir tramitando. Agora vai para a Comissão de Constituição e Justiça e para a de Assuntos Econômico. Depois para o plenário.

O resultado não abalou o discurso otimista dos governistas, que se mantêm confiantes. O próprio presidente, já em Moscou, disse que a votação de ontem não tem grande importância. O que vale mesmo é o placar do plenário, onde espera ganhar com folga. Vale lembrar: também esperava ganhar com folga na CAS. E não foi assim.

Dos votos contrários à reforma trabalhista, um saiu do PMDB e outro do PSDB. Chamou muita atenção o voto do tucano Eduardo Amorim (SE), já que o PSDB se mostra empenhado pela aprovação das reformas mais até que o PMDB, partido de Temer mas historicamente dividido sobre todo e qualquer assunto. O voto de Amorim evidencia que a unidade tucana está quebrada.

Isso quer dizer que Temer pode esperar mais trabalho nos próximos estágios da tramitação, com atenção redobrada para a votação em plenário. O governo pode até contar vantagem antecipada. Mas não pode dormir no ponto, como ontem: algumas ausências permitiram que suplentes da comissão votassem. E votassem mais ou menos livres. Deu no que deu.

O resultado vai mostrando que as seguidas crises do governo Temer passam fatura. E podem ser fatais na votação da reforma da Previdência, que o governo considera a mais importante. A reforma da Previdência não passou sequer pela Câmara, e divide opiniões. Hoje, ninguém é capaz de garantir que o governo terá os votos de 308 deputados.

Se passar na Câmara, a tramitação no Senado será outra guerra. E novos cálculos precisarão ser feitos.
 

Votos do Piauí: um Sim e um Não

O Piauí tem dois senadores que integram a Comissão de Assuntos Sociais: Elmano Ferrer (PMDB) e Regina Souza (PT). Os votos se dividiram. Elmano votou pela aprovação da reforma. E Regina votou contra.