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Em meio à crise, empresariado pede tranquilidade para produzir

Robson Andrade e Michel Temer: para o empresário, é melhor o presidente ficar onde está

 

Brasil a fora, muitos se perguntam: o que é melhor, Temer sair ou Temer ficar?

Se depender do empresariado ligado à indústria, é melhor que o presidente fique, porque uma nova mudança no governo geraria mais turbulência. E o que o empresariado quer é tranquilidade para investir e produzir.

Quem mostra essa preferência é Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade que reúne as 27 federações estaduais da indústria e 1.250 sindicatos patronais, com quase 700 mil companhias filiadas.

A posição de Robson não é unânime sequer entre o empresariado. Também divide o Congresso e mais ainda a cidadania. Mas revela uma preocupação de boa parte do país. E talvez a pergunta correta não seja “o que é melhor”, mas sim o que “menos ruim” para o país.

O governo Temer – e o presidente em particular – vem mostrando debilidades sérias, que passam pelo próprio modo de gerir, assim como pelos dramas pessoais (leia-se escândalos) vividos por vários integrantes do primeiro escalão. A reação da economia, que se insinuava nos meses de março e abril, foi atropelada por novos escândalos, o da JBS em particular.

Após o 17 de maio, quando surgiu a gravação do dono da JBS com o presidente, muitos empresários até desejaram a renúncia de Temer. Hoje esse sentimento mudou. E Robson Andrade chega a dizer que “todo o empresariado” prefere ver o presidente continuar.

O argumento que se seguem a essa fala não é exatamente uma defesa de Michel Temer. “Hoje a posição é essa: é melhor seguir e fazer a transição no país. Chega de turbulência", afirmou. Acrescentou: "O processo de escolha de um novo governo demoraria meses, até o final deste ano, para depois no ano que vem já termos campanha para as eleições".

Traduzindo: não é que esse Temer fragilizado seja o presidente dos sonhos do empresariado ou mesmo da indústria. É que a coisa chegou a nível tão extraordinariamente instável e sem previsibilidade que qualquer previsibilidade já é um sonho.

Ou, no entendimento de Robson Andrade: o empresário quer um pouco de paz para produzir. E não mexer mais ainda no vespeiro da crise política já seria uma saída e tanto.

Tal desejo por parte do presidente da CNI mostra onde o Brasil chegou. E o quanto o sonho imediato ficou tão estreito.