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Denúncia contra Temer vai impor longa agonia... ao país


Janot e Temer, entre a presidente do Supremo, Carmem Lúcia: embate que pode durar meses

 

Pela primeira vez na história do Brasil um presidente da República no exercício do mandato está sendo denunciado por corrupção. O que já é inusitado pode se tornar mais extraordinário, porque a denúncia deve vir em dose dupla. Ou tripla. E produzir uma longa agonia não apenas para Michel Temer, mas para o país.

Ao fazer a denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Temer, o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, adotou a estratégia de fatiar a denúncia. Ao invés de uma, três. Uma para cada crime que acusa o presidente de cometer. Na primeira, apresentada ontem, Temer é acusado de corrupção passiva. Pode ainda ser acusado de formação de organização criminosa e de obstrução da justiça.

O resultado da estratégia de Janot é o alongamento da agonia do presidente, que precisará se desdobrar na defesa na Câmara, tendo que se empenhar uma, outra e mais outra vez para conseguir o número necessários de deputados para barrar a denúncia. Será também uma longa agonia para o Brasil, que será espectador do alongamento de uma crise política que já dura anos.

A reação do mercado à denúncia de ontem não foi desastrosa: o país segue andando. Mas não quer dizer que o mercado esteja imune à crise política. Longe disso.

A crise brasileira já dura uns quatro anos, com um biênio trágico em 2015 e 2016, quando tivemos a maior recessão de toda a nossa história. Nos últimos quatro anos, nosso PIB encolheu cerca de 10%. Uma lástima! E a situação atual não anima investidores, especialmente os de fora, que não destinam ao Brasil os seus dólares.

Com a denúncia contra Temer fatiada em três denúncias distintas, o Supremo e a Câmara vão ter que se debruçar três vezes sobre basicamente o mesmo tema. Aí então, o país que espere pela conclusão desses processo. E fica o aviso: até chegar ao final, pode ser um longo percurso. Uma agonia que se amplia no tempo.

Na melhor das hipóteses, cada denúncia impõe de um mês meio a dois meses de espera. Essa hipótese é a que leva em conta a possibilidade do ministro Edson Fachin não dar os 15 dias para a defesa, antes de encaminhar o pedido de autorização para o processo à Câmara. E leva em conta também que a Câmara rejeitará o pedido rapidamente.

Na pior das hipóteses, o ministro dará 15 dias para o presidente se manifestar, mais uma semana para Janot fazer considerações e aí encaminha à Câmara, que aceitaria o pedido. Nesse caso, o processo pode durar diversos meses. E pode chegar a 2018.

Até lá, o desejo de ver o país de volta à normalidade terá que esperar. Enquanto isso, o Brasil sangra por todos os poros.