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Brasil carece de marcas fortes até mesmo no Esporte


Pelé: marca do esporte brasileiro construída em cima do talento individual

 

A consultoria britânica Brand Finance acaba de divulgar a última edição de um estudo que realiza a cada ano, a respeito das marcas esportivas mais valorizadas e mais influentes do mundo. O resultado é uma triste notícia para o Brasil, o país do penta: entre os 50 clubes mais valorizados, não há nenhum brasileiro.

A lista inclui até clubes da segunda divisão inglesa. Mas nada de Brasil, que vem perdendo espaço como marca. Essa realidade não é particular do esporte, mas é mais grave no campo esportivo porque é uma área onde teríamos todas as condições para deslanchar.

No cenário geral, o Brasil conta com poucas marcas de dimensão internacional. Alguns bancos têm força na América do Sul e conseguimos oferecer um olhar diferenciado no setor de moda (Havaianas, por exemplo). Mas a marca brasileira mais forte fora de nossas fronteiras é mesmo a Ambev, subsidiária da AB Inbev – maior empresa de cerveja do planeta.

Quando tornamos a olhar para o nosso tão festejado futebol, terminamos esbarrando nas marcas pessoais: o mundo sabe quem é Pelé, Ronaldo, Neymar etc; mas não acompanha nosso campeonato nacional. Para efeito comparativo: o campeonato argentino é muito mais visto mundo afora que o Brasileirão.

A edição 2017 da Brand Finance mostra que estamos bem mal, apesar da qualidade de nossos futebolistas. As 50 marcas mais fortes do esporte estão distribuídas em apenas 7 países: Inglaterra tem 17 clubes na lista, seguida da Alemanha com 15, Espanha com 7, Itália com 5, França com 4 e Rússia e Holanda, 1 clube cada. E nossa ausência tem muito a ver com a (des)organização de nosso esporte.

O futebol brasileiro segue com uma agenda à parte, de costas para o mundo. Outra vez cabe o exemplo argentino, que há mais de dez anos ajustou seu calendário ao do hemisfério norte. As férias dos jogadores argentinos em parte coincidem com a do futebol europeu, o que implica em várias coisas. Por exemplo: os clubes argentinos podem fazer turnês com os europeus. Outra: evita o desmonte de elenco, como ocorre a cada julho e agosto, no Brasil.

A comparação com os argentinos pode ir mais adiante: os brasileiros vão a Buenos Aires e correm para tirar fotos no estádio do Boca Juniors. O mesmo Boca que tem uma escolinha em Teresina, onde muitos andam com um chaveirinho do clube portenho. O argentino que vem ao Brasil não corre para tirar foto no estádio do Flamengo – um estádio, aliás, que nem existe. E não vamos encontrar escolinhas rubro-negras no interior argentino.

A desorganização não projeta as equipes brasileiras, que só conseguem aparecer entre os grandes quando conquistam um Mundial de Clubes, como ocorreu com o Corinthians em 2012. Fora isso, ficamos dependendo da explosão do talento individual de outros Neymar. Porque se formos esperar pela organização dos cartolas, vamos levar goleadas a cada ano.