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Temer libera R$ 2 bi para parlamentares em apenas um mês

Enquanto deputados se engalfinhavam na discussão de temas nada consensuais como a reforma trabalhista e, principalmente, a denúncia contra o presidente Michel Temer, o governo federal liberava bilhões de Reais em emendas parlamentares. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, apenas no mês de junho o governo liberou R$ 2 bilhões em emendas, um valor que é cerca de 2 mil vezes maior que o liberado em janeiro, por exemplo.

Certamente não é coincidência o aumento dos recursos para emendas em um momento crítico vivido pelo governo no Congresso, com a votação de reformas como a Trabalhista e, principalmente, a decisão na Câmara sobre a denúncia da PRG contra o presidente da República. Aliás, nem é coincidência nem novidade.

A prática é antiga e se repete sobretudo a cada nova crise ou votação de especial interesse do Palácio do Planalto. Foi assim com FHC quando da votação da emenda da reeleição, ou de Lula no pós-Mensalão ou ainda de Dilma às vésperas do impeachment. A velha regra é uma e outra vez utilizada. E, ao que consta, com efeito.

Segundo dados da Contas Abertas, nos dois primeiros meses do ano – com o Congresso adormecido e sem nada de especial a apreciar –, o ritmo de liberação foi bem devagar: R$ 1 milhão em janeiro e R$ 1,3 milhão em fevereiro. No pós-carnaval, o ritmo acelerou e a liberação subiu para R$ 5,1 milhões em março e para R$ 5,6 milhões em abril.

Com a delação da JBS em maio e a indicação da PGR de que iria denunciar o presidente, a crise se agravou. Com um detalhe: ela passaria pelo Congresso, e mais precisamente pela Câmara. E o mês registrou significativa multiplicação dos valores, chegando a R$ 89 milhões a soma das emendas parlamentares liberadas. Mas fartura ainda estaria por chegar: em junho o governo liberou R$ 2 bilhões em emendas.

A generosidade palaciana seguiu em julho, onde em apenas seis dias liberou R$ 94 milhões. É exatamente nessa primeira metade de julho que a CCJ da Câmara vota e rejeita a admissibilidade da denúncia contra Michel Temer.

Só coincidência?

 

Mainha vota, mas não tem emendas liberadas

Dos R$ 2 bilhões liberados no mês de julho, R$ 134 milhões foram destinados a 36 dos 40 deputados que votaram com o governo na CCJ da Câmara, rejeitando a denúncia contra o presidente da República. Para efeito de comparação: os que votaram contra somaram R$ 66 milhões, algo como a metade.

Dois deputados do Piauí integram a CCJ da Câmara e votaram na quinta-feira, ambos do lado do governo. Foram os deputados Paes Landim (PTB) e Maia Filho, o Mainha (PP). Landim teve emendas liberadas num total de R$ 4,5 milhões. Mainha, nem um centavo.

Mas a ausência de Mainha na lista tem uma explicação: ele é suplente no exercício do mandato. Quem define as emendas em um ano para liberação no ano seguinte são os titulares.