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JBS tirou de Temer título de presidente da recuperação econômica


Supermercados registram aumento de vendas e apontam novo ritmo da economia brasileira

 

Quando assumiu a presidência há 14 meses, ainda interinamente, Michel Temer carregava um monte de dúvidas e resistências, mas também um punhado de esperanças. Duas em especial: a tarefa de apaziguar o país em conflito e a capacidade de permitir à economia que retomasse o rumo da recuperação. Temer poderia hoje estar comemorando o título de reanimador da economia, se não fosse uma data: o 17 de maio de 2017, dia em  veio a público as gravações da delação da JBS.

Em meados de maio, a economia dava importantes sinais de recuperação, após mais de três anos de uma brutal recessão, a pior da nossa história. Mas a crise política superdimensionada com as gravações da JBS fez os investidores pisarem no freio. Perdeu-se pelo menos um mês e meiom de expectativas. E a recuperação da economia teve que esperar mais um pouco.

Desde o 17 de maio, o presidente teve seu mandato seriamente ameaçado em mais de uma vez. O país chegou a acreditar que saltara no precipício de uma vez por todas. Mas dois importantes indicadores divulgados ontem reforçam a suspeita de que Temer poderia bradar agora como o presidente da reomada da economia, não fossem as gravações de Joesley Batista, feitas em pleno Palácio Jaburu.

Um dos dados, apresentado pelo Ministério do Planejamento, mostra que a injeção de R$ 41,8 bilhões provenientes das contas inativas do FGTS ajudou a aquecer a economia. Esse dinheiro reduziu o endividamento, aumentou a poupança e gerou consumo, em especial nos supermercados. Também implicou na redução do uso do cheque especial e do cartão de crédito. Ou seja: o dinheiro do FGTS permitiu que muitos endireitassem suas vidas, tirando a corda do pescoço e até consumindo mais.

Outro dado, este do Ministério do Trabalho, msotar que o semestre fechou como não fazia há três anos: com saldo positivo no número de postos de trabalho. O saldo é de 67,3 mil vagas a mais que as demissões. Ainda é pouco para os 14 milhões de desempregados dessa enorme recessão, mas é um alento. E, mais ainda, a confirmação de uma tendência.

Os dados confirmam as expectativas alardeadas desde março, quanto à recuperação da economia. E são motivo de resgate da confiança do consumidor e, especialmente, dos investidores que (com razão) tanto vacilaram na hora de fazer novos investimentos.

O percurso até a efetiva recuperação da economia ainda é longo, principalmente porque o buraco cavado desde 2013 é enorme. Mas em algum momento essa recuperação teria que começar. Há boas razões para se desconfiar que esse reinício pode ser agora.

O presidente Temer bem pode comemorar esse feito, que ainda precisa alcançar com força a retomada do emprego. Mas o presidente poderia estar comemorando mais, empunhando o título de presidente da recuperação econômico. Um título que só não ostenta por conta da gravação de Joesley Batista, em pleno Jaburu.

Mas essa culpa ele não pode imputar a ninguém.