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Perspectiva de poder torna DEM outra vez cobiçado


Rodrigo Maia e Michel Temer: disputa pelos descontentes do PSB esconde perspectiva de poder

 

E de repente, o DEM – nome novo do velho PFL – volta a animar os corações políticos. Ou melhor: volta a despertar o sensível olfato dos políticos, que conseguem como poucos sentir no ar o cheiro do poder; sabem para onde sopra o vento do poder. O novo encantamento gerado pelo Democratas ficou patente na inesperada disputa entre o presidente Michel temer e o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, pelo passe dos descontentes do PSB.

Desde o início da votação das votações no Congresso das reformas propostas pelo presidente Michel Temer, ficou evidente o racha no PSB. A direção nacional do partido, inspirada pela bancada de Pernambuco e capitaneada por Carlos Siqueira, posicionou-se contra as reformas. Mas a base parlamentar não seguiu a orientação.

As divergências seguiram na votação na CCJ da Câmara da denúncia contra o presidente da República. Outra vez boa parte da bancada discrepou da direção do partido. E Siqueira, que não tem base eleitoral – está no cargo por ser uma espécie de faz tudo no PSB desde os tempos de Eduardo Campos – saiu distribuindo punições. No Ceará, por exemplo, tomou o comando do partido das mãos do deputado Danilo Fortes.

A conduta da direção do PSB levou parte da bancada a tomar a decisão de deixar a sigla. E o destino preferido pela maioria foi o DEM do presidente da Câmara. Será por questão ideológica? Certamente não, porque o socialismo do programam do PSB tem muito pouco de afinidade com o programa do DEM. Mas como programa não conta, o que vale é o pragmatismo.

E os descontentes do DEM estão sendo muito, muito pragmáticos. E quando apostam no DEM, estão olhando para possibilidades que podem recair para a atual estrela da sigla, o presidente da Câmara. Tanto que a tendência é que os cerca de 10 descontentes não se filiem ao PMDB do presidente Temer, mas ao DEM de Maia.

Certamente vislumbram conquistas imediatas, como ficou claro nas manifestações da líder do PSB, Tereza Cristina (MT), que ontem já falava de ganhos possíveis com a mudança. Ganhos, por exemplo, para os ruralistas que ela representa, especialmente com vantagens fiscais.

Mas os parlamentares devem enxergar – ou cheirar – algo além do que conseguem os pobres mortais. E podem estar vendo um cenário futuro que poucos coseguem desenhar. E esse futuro pode estar relacionado ao destino de Rodrigo Maia.

Se Rodrigo sobe, os novos aliados também subiriam com ele.