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Política contra drogas usa só parte das estratégias, e fracassa


Crack, um retrato da presença da droga entre os brasileiros: está em quase todo lugar, destruindo vidas

 

Em evento sobre as drogas, essa semana que acabou, o presidente do Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas no Piauí, pastor José Gouveia, trouxe um número arrepiante. Segundo ele, o crack está presente em 98% dos municípios piauienses. E disse mais: somente 30% deles, tem ação efetiva de tratamento de dependentes.

Esta é a avaliação de quase todos os especialistas: a droga está em toda parte. Em especial o crack, uma droga barata, que vicia quase instantaneamente e – pelo efeito de curto tempo – faz do dependente um consumidor contumaz. Daí para o crime que financia o vício, é só um passo.

O dado é muito preocupante porque evidencia a ineficácia das políticas contra as drogas, ainda mais lembrando que em 2011 o governo federal fez estardalhaço ao lançar um programa de enfrentamento ao crack. Sem efeito. De uma só vez, o pastor Gouveia deixa o Rei nu: não reduzimos a presença e a distribuição ampla da droga, e não temos uma ação efetiva no sentido de amparar quem sucumbiu ao vício.

O problema é que o Brasil falha nas três vertentes do enfrentamento às drogas. E isso parece não tirar o sono de ninguém, a não ser dos viciados, em boa medida incapazes de controlar a própria existência.

O combate às drogas deve contemplar três estratégias distintas, uma dialogando com a outra. A primeira é a prevenção. A segunda é a repressão. A terceira é o tratamento. Desenvolvemos mal as três, quando desenvolvemos algo.

A Prevenção: deve ser uma ação de grande alcance, porque alerta para o drama da droga, seus ilusórios encantamentos e suas terríveis consequências. Se olharmos bem, a prevenção é limitada a palestras em escolas. Não muito mais. Mas a prevenção deve contemplar ações de socialização e fortalecimento cidadão – e a escola de tempo integral é um caminho fundamental, não levado tão a sério Brasil afora.

A Repressão: não parece ter a eficácia desejada. Uma evidência disso: drogas como a cocaína – que é produzida no exterior – chegam aqui porque falha o controle, especialmente nas fronteiras. Além disso, o crime organizado que trafica e negocia essas drogas tem uma força enorme, permeando as instituições e atuando com razoável liberdade e gigantesca desenvoltura.

O Tratamento: talvez seja o lado mais eficiente, sobretudo pela contribuição das comunidades terapêuticas. Mas deveria ser a estratégia menos importante. O tratamento atuan precisamente porque as duas anteriores falham. O tratamento alcança as pessoas que já foram arrastadas pelo vício e já se encontram em uma situação de quase completa entrega às drogas. Se as duas anteriores funcionassem bem, a necessidade dessa terceira etapa seria pontual. Um complemento menor. Mas não é assim.

Essa situação mostra que o Brasil está falhando feio no enfrentamento às drogas. E, apesar da grita geral contra esse drama da sociedade atual, não provoca uma revisão de rumos. Seguimos somando dependentes aos milhares e multiplicando dramas. E não usamos todas as estratégias que o problema cobra.

Fica a certeza: é preciso uma discussão sobre as ações em torno desse problema. Urgente.