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Vai ser difícil explicar ao povo um Fundo Eleitoral de R$ 3,6 bi


Congresso Nacional: a dificuldade de explicar um Fundo Eleitoral de R$ 3,6 bilhões para a campanha de 2018

 

Sem dinheiro da iniciativa privada, os congressistas devem aprovar como um dos principais pontos da limitadíssima reforma política o financiamento público das campanhas. E a mudança já vale para o próximo ano, resultando na criação de um Fundo Eleitoral que vai destinar dos cofres públicos para os partidos R$ 3,6 bilhões.

O valor do Fundo está na versão do texto da reforma a ser votado até o final de setembro, para que tenha validade no próximo ano. Há possibilidade de mudanças no texto, mas é improvável que mude significativamente, porque essa grana é que vai garantir a campanha dos políticos. Aí, então, vai ser difícil explicar ao povo essa grana toda destinada para as campanhas.

Na visão dos brasileiros em geral, os políticos são como os impostos: só servem para levar a grana do cidadão, sem dar muito em troca. A imagem certamente é exagerada, mas há muitos motivos para a ampla desconfiança e condenação da classe. Daí ser complicado explicar essa dinheirama.

Para efeito comparativo, o Fundo previsto (de R$ 3,6 bi) é superior ao orçamento deste ano de 16 capitais brasileiras, entre elas Teresina, que tem um orçamento de R$ 3 bilhões. Vale lembrar, a regra é ver prefeito chorando, reclamando escassez de recursos. Daí, ao ver o bilionário Fundo Eleitoral, o cidadão reclama.

E olha que muitos congressistas queriam mais: chegou-se a aventar a possibilidade de um Fundo ao redor de R$ 6 bilhões. A proposta levava em conta que em 2014 os gastos declarados somaram R$ 5,1 bilhões (cerca de R$ 4 bilhões da iniciativa privada). E, sabemos hoje, esse valor oficial está longe de ser real, diante de tanto caixa 2, em praticamente todas as candidaturas.

Diante de valores tão exorbitantes e a revelação de escândalos que vinculam muitos políticos a desvio de dinheiro público, o cidadão tem lá seus motivos para reagir. E, assim, os congressistas vão ter muita dificuldade para explicar essa grana tão generosa.

Os deputados e senadores podem até dizer que esses R$ 3,6 bilhões não representam tanto para o orçamento da União: corresponde a apenas um milésimo do total de R$ 3,5 trilhões. Podem alegar ainda que é um valor ínfimo para assegurar o bom funcionamento da Democracia.

Vá lá que seja. Mas para um cidadão todo dia sente na pele o transporte ruim, a precária saúde e a falta de segurança, qualquer centavo que toma um destino que não seja a atenção de necessidades básicas, é visto com reprovação.