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Direita se assume e mostra a cara do conservadorismo


Rodrigo Maia, do DEM: face de uma Direita que mostra a cara e se assume em um país que discursava como esquerda

 

Em abril de 2011, a revista Veja publicou reportagem em que apontava um fato inusitado: o Brasil apresentava-se como um país sem direita. Essa conclusão foi feita a partir da auto-definição ideológica dos presidentes de diversas siglas. O presidente do DEM, por exemplo, identificava o partido como de centro. Outros como centro-esquerda ou esquerda. Seis anos depois, a realidade mudou muito. E o que não falta agora é político se assumindo como de direita.

A matéria de Veja mostra que esse auto-rótulo esquerdista é antigo, perceptível no próprio nome dos partidos. “As palavras ‘social’ e ‘trabalhista’ e ‘socialista’ aparecem na maioria dos nomes das legendas. Há apenas um partido que faz referência ao liberalismo – o PSL, que, ainda assim, também se diz social – e nenhum que tenha a expressão ‘conservador’ no nome”, diz a reportagem.

Naquele abril de 2011, o auto-rótulo de “esquerda” também era influenciado pelo auge do petismo, que completava oito anos de poder. Agora, após um mundo de escândalos e a recessão brutal que espanaram boa parte do brilho do PT, muitos procuram se distanciar do rótulo de esquerda. E o fazem de forma explícita, assumindo uma faceta conservadora que sempre esteve presente, ainda que poucos se atrevessem a exibi-la.

Alguns que se assumem como direita o fazem de forma ostensiva, abraçando inclusive uma faceta autoritária e discriminatória. É o caso do deputado Jair Bolsonaro (PSC), que os estudiosos não definem como direita, e sim ultra-direira. Mas há partidos com faceta efetivamente democrática que não se furtam à identificação ideológico à direita.

É o caso do PP, presidido pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Ao ser alçado ao terceiro mandato no comando do PP, Ciro lançou o nome do ministro Blairo Maggi para presidente. E justificou dizendo que o eleitor brasileiro deseja uma opção posicionada na centro-direita.

Outro que acabou de assumir esse perfil foi o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que se firma como principal referência do DEM. No esforço de atrair descontentes do PSB, Maia dizia da preocupação em fortalecer o DEM como uma força à direita.

No caso de Bolsonaro, a faceta conservadora se afirmar através de valores controversos, como o ataque aos direitos humanos (que só protegeria bandidos) e até mesmo a defesa da tortura. Com esse discurso, adota a estratégia de atrair um público explicitamente conservador, sem contemporizações e concertação. Não é o caso de Ciro e Rodrigo, que assumem o viés conservador sem abrir mãos dos princípios democráticos.

Se prevalecer a visão de Rodrigo e Ciro, pode ser uma boa notícia. Porque é sempre importante sabermos qual a ideologia e, portanto, os compromissos de cada partido. Só assim poderemos ter uma previsão do comportamento dos seus membros, antes e depois das eleições.