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A crise coloca as universidades públicas na encruzilhada


Universidades públicas: na crise, luta pela manutenção do funcionamento regulas coloca em segundo plano atividades de pesquisa

 

As universidades públicas brasileiras, em especial as universidades federais, tragam um mal bocado. Em alguns casos, como a UFRJ, há dificuldade até para cumprir com as necessidades básicas das básicas, como o pagamento das contas de água e luz. Mas, em regra, as universidades federais sofrem com a crise que vem desde 2011, e demitem terceirizadas, cortam bolsas e paralisam obras.

No caso piauiense, a UFPI vai conseguindo se manter um pouco fora da curva. Não adota medidas de contenção de gastos tão radicais. Mas não vive em outro planeta e sofre os efeitos da crise duradoura. Segundo levantamento divulgado pela Andes – entidade que reúne os docentes do ensino superior –, a UFPI apresenta problemas na manutenção dos laboratórios de graduação. Não é só: há problemas no pagamento de terceirizados e outros fornecedores.

A crise das universidades públicas não é de hoje. No caso das federais, há uma mudança radical de rumo já em 2011, o primeiro governo Dilma Rousseff. Em 2015, as dificuldades se tornaram gritantes e pioraram em 2016: Dilma deixou o governo, em maio do ano passado, contingenciando os repasses para as Universidades. Era uma penúria só. Quando assumiu, Michel Temer se empenhou em recuperar o atrasado. Mas este ano a coisa desandou de vez.

O controle orçamentário em nome do equilíbrio fiscal implicou em cortes radicais, em especial os relativos ao custeio – que cobre gastos com água, luz e terceirizados, por exemplo. O contingenciamento feito em março atingiu R$ 3,6 bilhões de despesas diretas do Ministério da Educação. Nesta conta não estão os R$ 700 milhões em emendas parlamentares para a área de educação. Daí, a situação se complicou, beirando o caos na maioria das universidades.

Alguns dados da Andes são bem reveladores:

Universidade Brasília: demitiu 134 trabalhadores da limpeza, 14 jardineiros, 37 da manutenção, 22 da garagem, 32 vigilantes, 62 das portarias e 8 da copa.
Universidade do Espírito Santo: colocou detentos para limpar o campus.
Universidade Federal de Santa Maria (RS): demitiu 56 dos 129 vigilantes da instituição.
Universidade Federal de Pelotas: demitiu 50 funcionários e extinguiu 30% das bolsas de pesquisa e de extensão.
Universidade Federal do Paraná: Reduziu uso de água, luz e telefone e, para economizar energia, trocou todas as lâmpadas por lâmpadas mais modernas, de LED.
Universidade Federal do Piauí: a Andes reclama falta de insumos nos laboratórios da graduação.
Universidade Federal da Paraíba: sem ter como pagar os fornecedores, paralisou 42 obras.
Universidade Federal do Acre: até obras de manutenção nos campi e investimento em infraestrutura foram prejudicados.

O resumo de dificuldades deixa às claras duas realidades. A primeira: a crise é enorme e a recessão de 2015 e 2016 ainda passa fatura. Segunda verdade: a educação paga caro e, com ela, as perspectivas do país.