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Livro sobre Müller resgata o fotógrafo e a memória de Teresina


Petrônio Portella governador recebe o presidente Castelo Branco e visitam obras do aeroporto (FOTO: Guilherme Müller)

 

O início de 1939 era um tempo convulso. O Brasil vivia o Estado Novo e o mundo via com espanto as insanidades de Hitler, o chanceler alemão que antes do final do ano iniciaria a Segunda Guerra. É nesse cenário que desembarga em Teresina um paraense de nome pouco comum: Guilherme Müller. Veio a convite do Governo do estado e com uma missão muito particular: montar uma oficina de clicheria e um laboratório fotográfico na Imprensa Oficial.

Traduzindo a missão: chegava para criar as condições técnicas para que os jornais da época pudessem utilizar fotos, imagens que traduzissem o ritmo e as ações da cidade. Quase 80 anos depois, a trajetória de Guilherme Müller é resgatada no magnífico trabalho de Paulo Gutemberg, um historiador e fotógrafo que debruçou-se sobre o acervo deixado pelo paraense com sobrenome alemão, falecido em 1994. E o que Gutemberg traz é mais que o resgate do trabalho de Müller. Ele ressalta a própria memória visual de Teresina.

O livro Guilherme Müller e a invenção visual de Teresina está nas livrarias e é uma delícia ser lido e visto. Sim, porque o trabalho desenvolvido por Müller é a própria tradução dos passos dados por Teresina. Paulo faz um apanhado história, contextualizando a presença do fotógrafo na evolução da cidade e como essa relação permitiu que fosse testemunha e registro da história da cidade.

Além do belo texto de introdução, Paulo faz uma seleção de fotos que traduzem o trabalho do fotógrafo e revelam a Teresina das ruas, dos clubes e das obras que redesenharam o espaço urbano. Não foi uma tarefa fácil. A escolha pinçou apenas uma pequena parte do acervo de Müller. Mas é uma escolha que permite um olhar sobre a trajetória da nossa cidade.

E, assim, temos um pouco de tudo. Há registros das comemorações do centenário de Teresina, em 1952. Há os desfiles de 7 de Setembro e momentos do carnaval teresinense. Há fotos de quase todas as pontes que ligam a Cidade Verde a alguma outra parte – incluindo pontes em obras. E fotos com acentuado valor histórica, como a visão aérea da igreja de São Benedito abraçada por seu entorno urbano recém-construído.

Há muito mais. O livro traz diversas praças, ruas marcantes e edificações referenciais. Há fotos de casamentos ressonantes e também de misses que persistem na memória de tantos, como Teresinha Alcântara, a dona da coroa em 1956. E traz ainda diversas cenas políticas, resgatando personalidades como Petrônio Portella, Chagas Rodrigues e Dirceu Arcoverde.

As imagens de Müller em boa hora recolhidas por Paulo Gutemberg mostram que o fotógrafo conseguiu mais que registrar os passos da cidade ao longo das décadas. Conseguiu criar uma identidade visual para nossa capital, ao reproduzir imagens como a São Benedito, o Karnak e a Ponte Metálica.

O trabalho realizado por Paulo Gutemberg é, sem dúvida, um belo presente para esta Teresina desde sempre muito criativa.

A estrutura de madeira indica: a segunda ponte da Frei Serafim está em obras (FOTO: Guilherme Müller)