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13 suplentes em exercício formam 2ª bancada do Senado


Wilder Morais: financiador de campanha que virou suplente e, logo, titular de uma cadeira no Senado

 

A discussão sobre a reforma política esquenta e vai mostrando as posições divergentes entre os partidos. O principal ponto de confronto é em relação ao distritão, que divide o Congresso. Quanto à forma de financiamento das campanhas, a opção pelo financiamento público parece mais aglutinadora. Ainda assim, o tema traz questionamentos (sobretudo fora do Congresso) sobre os efeitos desse modelo, onde os suplentes de senador – a maior parte sem expressão política – servem de forte motivo para o debate.

Hoje são 13 suplentes no exercício do mandato, uns pelo afastamento temporário do titular, outros pelo afastamento definitivo. E a discussão acontece precisamente porque boa parte desses suplentes em exercício são ilustres desconhecidos do distinto eleitor e da própria vida partidária, a não ser no setor de doações de campanhas.

Os 13 suplentes em exercício seriam, se constituíssem um partido, a segunda maior bancada do Senado, atrás apenas do PMDB. O Piauí tem um desses 13, a senador Regina Souza (PT). Mas ela não se enquadra na discussão principal: Regina tem uma vida partidária sólida e tornou-se suplente de Wellington Dias precisamente por isso. Quando Wellington renunciou para assumir o Karnak, ela ficou com a cadeira.

Mas há nomes como Zezé Perrela ou Wilder Morais que traduzem bem as preocupações desse debate.

Wilder Moraes é um empresário goiano que em 2010 fez uma doação de R$ 700 mil para uma campanha. No caso, a de Demósthenes Torres, eleito senador. Morais era o suplente. Quando Torres teve o mandato cassado pouco mais de um ano após a posse, o suplente-investidor herdou mais de seis anos de mandato.

O caso de Perrela é ainda mais ilustrativo. O agora senador mineiro sempre foi conhecido como dirigente esportivo, empresário e doador de campanhas. Tornou-se suplente de Itamar Franco, que morreu alguns meses após a posse. Perrela herdou mais de sete anos de mandato.

O trunfo principal da maior parte desses suplentes no exercício do cargo é a condição de financiador. Sim, há ainda muitos suplentes que são parentes: mulher, filho etc. Mas a condição de doador dá uma enorme vantagem na hora de definir os suplentes. E isso, por si só, já mostra como anda meio atravessada a relação entre dinheiro e política. E a relação entre a política e o distinto público.

Esse é um caso eloqüente em que cabe dizer: o eleitor atirou no que viu e acertou no que não viu. Um eleitor que passa a ter como seu representante um sujeito que nunca apareceu nos debates da campanha e sequer teve lugar de destaque no cartaz ou nos santinhos.

Essa situação dá margem a algumas propostas, como o fim dos suplentes ou a opção de ter o segundo mais votado como o eventual substituto do eleito. Talvez fosse mais fácil as candidaturas ao Senado colocarem nas suplências alguém com representatividade.

Se assim fosse, essa discussão simplesmente não existiria.