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Ranking mostra que nossa Universidade vai mal

Dizer que a Universidade Brasileira vai mal é bem fácil, diante das dificuldades enfrentadas pelo ensino em geral e pelo ensino superior em particular – disso já tratamos aqui. Mas o último Ranking Shanghai torna essa afirmação um grito ensurdecedor, aomostra o quanto vamos mal e tamném apontar o movimento de concentração do conhecimento em um punhado de instituições e particularmente em um país: os Estados Unidos.

Para começo de conversa, é preciso explicar que o Ranking Shanghai (Academic Ranking of World Universities, ARWU) é uma criação da Universidade de Jiao Tong de Xangai, na China, que pretendia avaliar as universidades chinesas. Usa seis indicadores, incluindo número de ganhadores de grandes prêmios (como o Nobel), a publicação de artigos na Nature e na Science e citação dos autores de cada universidade. Como comparativo para as universidades chinesas, avalia 1.200 universidades no mundo. Daí tornou-se um dos rankings mais levados em conta entre tantos que há.

É um ranking que acentua a excelência. Pois bem: o ARWU 2017 mostra que o Brasil tem apenas uma universidade entre as 200 melhores do planeta, a USP. Entre as 500 melhores, chegamos a 6 e somamos mais 7 entre classificas de 501ª e 800ª do ranking. Os Estados Unidos, líderes destacados, têm 16 entre as 20 melhores, número que sobe a 48 (quase metade) no Top 100 e vai a 135 entre as 500 principais.

O Top 20 tem, além das 16 norte-americanas (Harvard na cabeça), 3 inglesas e 1 suíça. Portanto, as 20 melhores estão nos Estados Unidos e Europa. A concentração do conhecimento (que transforma e faz a balança pender para quem o detém) fica evidente nas Top 100: 52 estão na América do Norte (48 nos Estados Unidos e 4 no Canadá) e 35 na Europa. A Ásia e Oceania emplacam 13 entre as 100 primeiras, com destaque para a Austrália (6), seguida de Japão (3), China (2), Singapura (1) e Israel (1). São países que investem na educação e na pesquisa.

A América Latina? Nenhuma entre as 150 melhores. A África, da mesma forma. A nossa USP (a melhor entre as latino-americanas) aparece apenas no bloco 151-200, já que o ranking só classifica individualmente até a 100ª posição. E no bloco 201-300 não aparece nenhuma outra brasileira.
 

 

Nordeste só tem uma entre melhores do Brasil

A concentração de conhecimento que acontece nos Estados Unidos e Europa também se dá internamente no Brasil. Das seis melhores colocadas, três estão em São Paulo: USP, Unesp e Unicamp – todas estaduais. As outras são a UFRJ, UFMG e UFRGS. No bloco que reúne as universidades avaliadas entre a posição 501ª e 800ª, o Brasil emplaca mais 7. Há mais duas paulistas: Ufesp e Federal de São Carlos. É aí onde aparece a única nordestina no time: a UFPE, no bloco 701-800.

É assim que fica o Brasil no Ranking Shanghai:
Nenhuma entre as 150 melhores universidades do planeta.
No bloco das classificadas entre 151 e 200 aparece a Universidade de São Paulo (USP).
Outra vez nenhuma brasileira entre 201-300.
No bloco 301-400 estão UFRJ e UNESP.
Entre 401-500 estão posicionadas a UFMG, UFRGS e Unicamp.
Entre 501-600, estão a UFPR e a Universidade Federal de Viçosa.
Entre 601-700, aparecem a UFSC e a Universidade Federal de São Paulo.
Por fim, entre as classificadas de 701 a 800 estão a UFPE, Federal de São Carlos e UNB.