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Reforma política pontual não muda essência nem custo da campanha



Depois de seguidos e bilionários escândalos, há quase um consenso de que a campanha eleitoral no Brasil é cara. Aliás, caríssima. E que algo profundo precisa ser feito para reduzir o custo das campanhas bilionárias. Mas a reforma política que está sendo desenhada no Congresso não altera a essência no modo de fazer campanha, que seguirão caras e dando margens à relação espúria entre política e poder econômico.

A questão é muito simples: para ser eleito, um político tem que gastar muito, muito mais do que o cargo oficialmente lhe assegura em salário. Para se ter uma idéia, um deputado federal soma, em quatro anos, salários ao redor de R$ 1,8 milhão. Mas, para ficar no exemplo do Piauí, nenhum deputado se elegeu em 2014 gastando menos que R$ 5 milhões. Há, segundo se diz nos bastidores, quem tenha desembolsado para se eleger mais de dez vezes a soma do salário no mandato.

São diversas as razões que multiplicam os gastos em uma campanha. E a reforma política não está objetivamente olhando para esses fatores. Na prática, significa dizer que as alterações na legislação, pontuais e interessadas, não modificam a essência das campanhas. Nem seu custo.

Vale observar o que faz nossas campanhas caras.

- Distritos enormes: cada estado é um distrito e há casos, como São Paulo, em que são eleitos 70 deputados federais. A redução de distritos teria enorme impacto no custo da campanha.
- Lista aberta: Faz que cada candidato tenha uma campanha à parte, enfrentando inclusive colegas de partido. A saída mais indicada é a lista fechada, que levaria que cada partido ou coligação fizesse campanha única. Mas foi descartada na reforma.
- Presidencialismo: no presidencialismo, a campanha de presidente é totalmente diferente e com custo à parte, em relação à disputa pelo Parlamento. No Parlamentarismo, as duas são a mesma campanha. Vale lembrar, só Dilma e Aécio, em 2014, gastaram mais de R$ 1 bilhão.
- Campanhas longas: já houve redução do tempo de campanha, mas ainda é considerada longa. Além da pré-campanha, são mais de dois meses de andanças, comícios e cooptação de lideranças.
- Superprodução na TV: Também já houve redução no tempo de TV, mas a forma como as campanhas acontecem no rádio e TV implicam em gastos altíssimos (João Santana que o diga). Só não é mais cara que as campanhas norte-americanas.
- Cultura política: para completar, o brasileiro em geral acha que o poder é para ser usado. Nesse raciocínio, cabe também tirar o que for possível de quem está (ou quer estar) no poder. Daí, apoio político, só pago.

Quanto à cultura política, a legislação não pode fazer muito. Quanto ao resto, pode sim. Mas não está sem discutindo o tema.