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O governo vende os móveis da casa e até a aliança

Logo que começou, o governo Temer colocou como meta fundamental uma agenda de reformas. Três reformas: a da Previdência, a Trabalhista e a Fiscal. Eram um caminho considerado imprescindível para enfrentamento do enorme rombo nas contas públicas, que Dilma deixou ao redor de R$ 180 bilhões. Para o novo governo iniciado em maio de 2016, as reformas eram mais que necessárias. Eram urgentes.

Agora, sem ter como tapar o rombo que persiste quase do mesmo tamanho de antes, e praticamente sem condições objetivas de levar as reformas a bom porto, o governo recorre à venda de ativos. E nem é para fechar as contas: é simplesmente para reduzir o tamanho do rombo e ficar dentro da bendita “meta fiscal”.

O saldo reformista de Temer está longe do que ele imaginou: a reforma Trabalhista está aí – para muitos ela é excessiva; para outros, tímida. Quanto às outras duas reformas, estão estacionadas. E a fragilidade política do governo diante de um Congresso fragmentado e sem lideranças capazes de aglutiná-lo em torno de algo, praticamente enterra as chances das reformas, ou pelo menos das reformas como desenhadas inicialmente.

Nas contas do governo, as reformas possibilitariam redução de custos ou injeção de recursos capazes de permitir um ajuste nas contas, reduzindo o déficit. Agora, sem essa alternativa, o jeito foi recorrer às privatizações e concessões. Para muitos, esse recurso é, por si só, uma lástima. Mas mesmos muitos dos que defendem as privatizações ficam alarmados com o pacote anunciado ontem pelo governo, que pretende passar para a gestão privada nada menos que 57 ativos da União.

A questão principal é que o pacote não é norteado por nenhuma estratégia, nada que indique uma discussão embasada ou uma noção de modelo de Estado. É simplesmente a venda de ativos para tapar buraco. Não é nem para cobrir as contas, mas simplesmente reduzir o rombo, este ano já redimensionado para R$ 159 bilhões.

É como o sujeito que está endividado e, para salvar as contas com o banco e a bodega da esquina, resolve vender os móveis. Primeiro o sofá, depois a cama. Pelo jeito, o atual inquilino no governo do Brasil está a ponto de vender as panelas.

 

Casa da Moeda é a aliança de casamento

Na lista dos 57 ativos do governo colocados ontem no rol de privatizáveis, está a Casa da Moeda. Não é um grande ativo. Mas é simbólico, inclusive pelo aspecto de segurança, já que o país tende a delegar a tarefa de produzir seu próprio dinheiro. Como símbolo, se assemelha ao endividado que foi se desfazendo dos bens, e já colocou no “prego” quase tudo o que tinha valor efetivo, tais como as joias herdadas da avó. Resta aqueles bens de pequeno valor real e enorme valor simbólico, como a aliança de casamento. Pois a Casa da Moeda é como a aliança de casamento: não vale tanto no comércio, mas tem um valor simbólico extraordinário.

Pois o governo está vendendo a sua aliança de casamento.