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A última semana de Janot começa com tudo

Rorigo Janot: última semana para mandar flechadas, uma delas possivelmente contra Michel Temer

 

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, começa contagem regressiva da última semana à frente de dois mandatos que o transformaram em uma figura central nos acontecimentos do país, nos últimos quatro anos. Mas Janot não está para festas. Pelo indicativo dos últimos dias, será uma semana movimentada, em que o Procurador Geral tende a mandar flecha contra muitos. E começa bem, vendo atendido o pedido de prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud, bambambãs da JBS.

Queiram ou não os seus desafetos, Janot tem um lugar na história. Esteve à frente do Ministério Público em um dos momentos mais cruciais de um país que tenta enfrentar o mal crônico da corrupção. E cumpriu papel importante – importantíssimo – ao oferecer denúncias contra poderosos antes intocáveis.

Mas há uma dúvida que paira até mesmo entre aqueles que festejam Janot: qual o lugar exato que o ainda Procurador Geral da República terá na história. Sim, porque a trajetória que assina tem altos e baixos. E um dos pontos mais baixos dos últimos quatro anos está precisamente neste início de setembro, nos últimos dez dias.

As gravações de Joesley e Saud, revelando omissões nas delações dos executivos da JBS, deixaram o chefão da PGR de calças curtas. E trouxeram mais questionamentos sobre as questionadíssimas vantagens oferecidas pelo Ministério Público Federal (e acatadas pelo ministro Edson Fachin) na delação de Joesley & Cia. A bem da verdade, o Brasil nunca engoliu tantas regalias concedidas.

A reação da semana passada foi uma maneira de reparar os vacilos de antes. Menos mal que Janot começa sua ultima semana com Joesley e Saud na cadeia.

 

Vem mais chumbo grosso de Janot

A escolha de Raquel Dodge como sucessora de Janot, ainda no mês de junho, parecia o comesso do enfraquecimento do chefe da PGR. Nada disso.

E Janot tratou de, rapidamente, deixar claro que seguia com todo gás, que não era um pato manco. Primeiro em discurso, ao dizer que, enquanto tivesse bambu, ia mandar flecha. Depois em atos, mandando flecha e renovando denúncias contra figurões do Senado e outros políticos de renome, como Lula e Dilma Roussef. Agora espera-se a fechada final: uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer.

Segundo avalições diversas, qualquer nova denúncia que chegue agora à Câmara dos Deputados terá destino idêntico à primeira, especialmente após dúvidas sobre as delações dos executivos da JBS. Mas é provável que Janot não abra mão dessa possibilidade de oferecer uma nova denúncia.

Será o fecho em grande estilo de quatro anos de mandato de muita, muita repercussão.