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Crise deixa consultorias sem capacidade de projeção


Janot sai, entra Raquel Dodge: dúvidas sobre nova postura da PGR alimenta incertezas

 

A tarefa de projetar os rumos do país nos anos futuros sempre foi uma das fontes de dinheiro das consultorias. Mas essa capacidade perdeu força em um cenário de crise que deixa muitas (quase todas) janelas abertas no que diz respeito ao que vai acontecer futuramente. Diante do gigantismo da crise política, as dúvidas recaem especialmente sobre como será e que resultado pode ter a eleição de 2018.

E se as eleições de 2018 são uma grande incógnita, as dúvidas pairam sobre tudo: rumos da economia, redesenho político, inserção do Brasil no cenário internacional, estabilidade para os investimentos. Em um país onde ainda persistem muitas sombras, a bússola dos consultores está embaçada.

Alguns consultores associam a realidade do país a uma montanha russa, com altos e baixos e fortes emoções. Daí, as previsões apontam mais para o imprevisto.

 

Sobre o governo que ainda resta

Diminuíram as dúvidas, mas não há grandes garantias. Nem mesmo uma sensação de que a Lava Jato começa a se encaminhar para um desfecho acaba com as incertezas:

Temer segue: a avaliação mais geral é que segue, sobretudo após a revisão da delação da JBS. Mas duvida-se da continuidade das reformas.

Investimentos: o PIB deve crescer mais que o esperado. Mas será suficiente para colocar o Governo nos trilhos de investimentos em obras públicas? Duvida-se.

Investidor: os investidores, especialmente estrangeiros, mostram-se mais confiantes que os nacionais. Mas manterão os investimentos se chegar, por exemplo, uma segunda denúncia?

 

Sobre eleições de 2018

Se o cenário de curto prazo é difícil enxergar, imagine o tanto de dúvidas que envolvem os cenários de daqui a um ano. Imagine!

A vez do novo: muitos analistas avaliam que “ser o novo” é crucial para o êxito eleitoral em 2018. Mas quem poderia ser esse novo?

O nome de sempre: Lula, que esteve em cinco das sete disputas presidenciais pós-redemocratização, estará na urna do ano que vem? Difícil dizer.

Câmbio: hoje estável, conseguiria permanecer assim em plena campanha? A avaliação quase unânime é não.

Conservadores: no campo da esquerda, faltam opções (restam Lula e Ciro). No lado conservador, há uma enxurrada. Isso é bom ou ruim?

 Uma avaliação mais precisa carece ainda de uma série de movimentos. O primeiro é o tom da Lava Jato nos próximos dias. E isso depende de diversos fatores, desde o esforço de muitos para apagarem o fogo da investigação até o comportamento de Raquel Dodge à frente da PGR.

O que fazer? Não resta muita opção além de esperar.