Cidadeverde.com

Baixo investimento público complica PIB pelo terceiro ano


Construção Civil: setor sofre impacto direto do baixo investimento feito pelo setor publico. E o PIB passa fatura

 

É um ciclo vicioso: a política econômica equivocada leva à menor produção, que traz menos consumo e resulta em menos arrecadação. Na sequência, para manter as contas em ordem, o governo corta gastos – e o primeiro item alcançado pela tesoura é o de investimentos. E aí as consequências são dramáticas, com desaceleração ou até redução do Produto Interno Bruto (PIB), como aconteceu de 2014 a 2016.

Essa sequencia de fatos na economia do país explicam em grande medida o sufoco do Brasil de hoje. Mas colocam os analistas diante do dilema antigo sobre quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha. O que pesa mais, a queda do PIB sobre os investimentos ou os investimentos em baixa sobre o PIB declinante?

Desde 2014, o PIB per capita do Brasil vem registrando queda, na crise econômica que impôs ao país a mais brutal recessão de sua história. A perspectiva para 2017 é que haja um aumento do PIB nominal em torno de 1%, possivelmente um pouco abaixo. Mas a tímida recuperação está longe de superar as perdas do triênio 2014-2016 que achatou o PIB brasileiro em cerca de 10%.

Sem esquecer o dilema do ovo e da galinha, vale observar os cálculos dos especialistas na área, indicando que cada R$ 1,00 investido pelo setor público gera um impacto de R$ 1,60 no PIB. E os dados são preocupantes: o governo tem investido pouco. Muito pouco. E PIB vem passando fatura.

Em 2014 a queda do PIB per capita foi de 0,38% sobre o resultado do ano anterior. Em 2015 piorou, com um desempenho negativo de 4,59%. E seguiu no vermelho (apenas umas centésimas a menos) no ano passado, quando a queda foi de 4,40%.

Esse resultado é condizente com a queda nos investimentos públicos, que sofrem em todas as crises. A escolha dos investimentos como endereço dos cortes é fácil de explicar:

Cerca de 90% das despesas públicas estão vinculadas a regras de desembolso (salários, percentuais para saúde e educação etc) e, para sofrerem cortes, exige-se mudança na legislação. Daí, sobra o investimento. O problema é que esse corte leva à fábula da galinha dos ovos de outro: come-se a galinha, perde-se os ovos. Ou, no caso, corta-se investimento para melhorar as contas públicas; mas como o corte de investimento desestimula a economia e achata a arrecadação, complicam-se ainda mais as contas públicas.

O Brasil vive esse dilema, com queda de 13% nos investimentos desde 12013, o último ano antes da recessão. Um exemplo bem atual é o volume de investimento feito pelo governo de janeiro a julho de 2017: R$ 16,3 bilhões em obras e equipamentos públicos, cerca de R$ 10 bilhões a menos que o mesmo período do ano passado. Para os mesmos sete meses, esse valor é o menor dos últimos nove anos.

 

Construção é quem mais sente

A indústria da construção sofre o impacto mais direto desse quadro de investimento em queda. De 2013 a 2016, os recursos destinados à construção de moradias populares caíram a menos da metade. Além disso, o governo congelou os recursos para o Programa de Aceleração do Crescimento.

O governo chegou a anunciar a retomada de 1.600 obras paralisadas. Mas as contas do governo, mesmo com o aumento da meta fiscal – R$ 20 bilhões a mais de déficit – não deve concretizar tal promessa. E o investimento que o governo deixa de fazer acaba tornando mais lenta a esperada recuperação da economia brasileira.