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Cresce no PSDB crítica à liderança de Firmino


Lucy Silveira e Firmino Filho: projetos políticos que complicam a vida de aliados

 

A saída de Washington Bonfim da Secretaria de Planejamento está revelando um descontentamento que não é pontual, mas bastante amplo de membros do PSDB com a liderança e o projeto político do prefeito Firmino Filho. Na avaliação de importantes tucanos, o prefeito estaria atrelando o partido a um projeto que, no final das contas, se resume à família Silveira.

O caso de Washington seria o mais explícito, pelo desfecho que tem desenhado. Segundo avaliação de alguns tucanos, o secretário saiu do PSDB para o PP para atender a uma estratégia de Firmino, não do partido. E, de mudança para a nova sigla, viu ser ofuscado pela filiação simultânea da primeira-dama Lucy Silveira.

Lucy já desembarcou no PP com o projeto de deputada federal debaixo do braço, o que significava preterir Washington, à época embriagado com a possibilidade de disputar o mesmo cargo – e com o aval de Firmino. Até aí, a estratégia de Firmino tinha atropelado apenas o secretário. Mas logo sobraria para outros.

Talvez calculando a dificuldade que é eleger um deputado federal em um partido de pouca capilaridade no interior, Firmino mudou o projeto desenhado para a esposa: não disputaria mais a Câmara, e sim a Assembleia. E isso traria novas vítimas, mas uma em especial: o sobrinho e deputado estadual Firmino Paulo, que perderia boa parte dos votos que teve na capital.

A solução para salvar Firmino Paulo foi convencer Luciano Filho a disputar uma vaga na Câmara Federal. Com isso, redutos de Luciano poderiam ser somados ao capital eleitoral do sobrinho-deputado, livrando a pele de mais um membro da família. Nada feito: Luciano até que ponderou, mas declinou.

O cálculo de Firmino – o prefeito –, por enquanto, tem gerado mais críticas que aplausos. A mudança de projeto de Lucy criou reação dentro da bancada estadual, já que prejudicaria os três tucanos da Assembleia. Também produziu reação dentro da própria família, diante do prejuízo à campanha de reeleição do sobrinho. A solução de lançar Luciano Filho à Câmara não vingou. E a situação é que o descontentamento segue.

Para completar, o prefeito agora defende o nome de Firmino Paulo para a presidência do partido. O argumento é que tanto Luciano quanto Mardem Menezes já estiveram à frente do PSDB estadual. Pode ser um ótimo argumento. Mas há quem leia a sugestão de Firmino Filho como mais um passo para ter o controle de tudo dentro do núcleo familiar.

As críticas são tão fortes que um tucano de alta plumagem chega a dizer que o prefeito está promovendo um desmonte do partido. Mas, ao mesmo tempo, não quer entregar o osso. No dizer desse tucano, seria como o sujeito que vende a casa mas não entrega a chave ao novo proprietário.