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Maia tenta movimento ‘nem lulista nem antilulista’

Rodrigo Maia: esforço por um movimento de centro-direita com vistas às eleições de 2018, incluindo o tucano João Dória

 

Em política, nada é por acaso. E também não foi por acaso a segunda estrilada do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, semana passada, contra o PMDB. O protesto de Maia alcançou inclusive o presidente da República, Michel Temer, que estaria deixando (ou estimulando) seu partido avançar sobre campo cultivado pelos aliados – no caso, o DEM do próprio Maia.

O ponto visível do protesto foi a investida do PMDB, via senador Romero Jucá, que resultou na filiação do grupo do senador Fernando Bezerra (PE) no partido de Temer. O grupo, que antes estava no PSB, era um dos alvos de Maia no esforço de construir um movimento de centro-direita capaz de oferecer uma alternativa para as eleições de 2018.

Um parlamentar próximo ao presidente da Câmara traduz o que vem a ser esse movimento: “Nem lulista nem antilulista”. Ou seja: quer oferecer uma alternativa que fuja do Fla-Flu que divide a política nacional desde 1994, no enfrentamento entre PT e PSDB.

Desde o final de junho Maia vem estreitando conversações a respeito, e vem contando com um ativo grupo de parlamentares. Entre eles está o piauiense Heráclito Fortes, outro descontente do PSB.

As articulações partem de um problema: a relação do DEM com o PSDB, a outra parte do Fla-Flu. Importantes lideranças do partido, como o senador Agripino Maia (RN) atuam quase como apêndices dos tucanos. Quer dizer, fazem parte do Fla-Flu.

Mas como a política não costuma ter casamentos eternos, tudo é possível. E é bom notar as entrelinhas das falas de outra estrela do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto. Ele dá indicações da relevância da aliança com o PSDB, mas começa a dizer que acha importante que o DEM pensar em um candidato próprio à presidência. Quem? Ora, um tucano rebelado.

João Dória vem recebendo aceno nesse sentido. Se o prefeito de São Paulo perceber que tem poucas chances no embate interno com Geraldo Alckmin, pode trocar de sigla. E poderia desembarcar no DEM. Seria a cara que falta para o projeto centrista de Maia.

 

Doria, popstar no DEM e no Rock in Rio

Não é apenas no DEM que o prefeito paulistano João Doria é tratado como popstar. Também no Rock in Rio, este sim o cenário dos popstars na temporada musicial deste setembro. De visita ao Rock in Rio, o prefeito foi festejado, paparicado, fotografado...

Perguntado porque tanto alvoroço, o organizador do evento, Roberto Medina, encontrou uma explicação: “É a falta de liderança [vivida pelo Brasil]”. A explicação de Medina foi na mosca. O interesse político do DEM e outros no nome de Dória é precisamente um esforço em busca de uma novidade, de uma nova liderança que, talvez, possa encantar o país. E o eleitor.