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Mortes violentas no Brasil são iguais às da guerra síria


Guerra Urbana: mortes violentas no Brasil são superiores a guerras como a da Sítria

 

A guerra que mais chama a atenção do mundo, no momento, o conflito na Síria registrou em seis anos 330 mil mortes. Isso dá uma média de 55 mil mortes. No caso da guerra do Iraque, foram cerca de 500 mil mortes, uma média pouco superior a 60 mil vítimas fatais. Pois o Brasil tem sua guerra particular, com cerca de 60 mil mortes violentas por ano. Uma guerra terrível!

Os dados que apontam para essa dura realidade estão no levantamento feito pelo Centro de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a GloboNews. O centro analisou as mortes violentas registradas em todo o país durante uma semana inteira, de 21 a 27 de agosto passado. Em sete dias, foram 1.195 mortes violentas, entre casos de homicídio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídios.

Utilizando uma comparação feita no próprio estudo, é como se um Boeing 737 lotado caísse todos os dias. Como um 737 tem capacidade para cerca de 150 passageiros, o número de mortes na semana avaliada corresponderia a 8 Boeings lotados. Se isso ocorresse, chamaria a atenção do mundo. Mas as 1.195 mortes violentas passam como se fossem um dado trivial.

Esse número aponta para uma projeção de cerca de 60 mil mortes violentas em um ano inteiro. Mais que muitas guerras que acontecem mundo afora. Se forem consideradas as mais de 40 mil mortes no trânsito, aí o Brasil teria mais de 100 mortes a cada ano, uma realidade que aponta para a brutalidade da violência e também para a violência no trânsito.

O levantamento da USP faz um apanhado de cada caso e oferece estatísticas reveladoras. De cada dez mortos, nove são homens. Em 81% dos casos, as mortes foram provocadas por armas de fogo e 80% do total de registros corresponde a homicídios.

O levantamento revela ainda que a maior parte dos mortos identificados é formada por negros e pardos. São também jovens: cerca de 40% dos mortos tinham menos de 25 anos de idade. Esses dados se juntam a outro título nada animador ostentado pelo Brasil: é o país onde mais morrem pessoas envolvidas com drogas.

 

Piauí teve 12 assassinatos

O levantamento traz a identificação de cada um dos 1.195 mortos, com nome, idade e etnia. Também indica o local, as circunstâncias e a causa do assassinato. Na semana de 21 a 27 de agosto, o Piauí registrou 12 mortes violentas.
Foram 4 em Parnaíba, 1 em Luzilândia e 7 em Teresina. Tomando esses sete dias analisados como parâmetro, o Piauí deve fechar um ano completo com número ao redor de 625 mortes, o que significa quase 19 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.