Cidadeverde.com

Podemos nasce oposição nacional e jeito de governo, no Estado


O senador Álvaro Dias, em Teresina, já recebe o aceno de Wellington Dias, que deseja o Podemos em sua aliança

 

O lançamento do Podemos, ontem, no Piauí, deu uma mostra dos problemas partidários brasileiros, onde a coerência ideológica é o que menos importa. O senador Álvaro Dias (PR), que chega com a etiqueta de presidenciável, coloca o partido na raia do “contra todos" e por uma nova política. Mas o líder da sigla no Estado, deputado Silas Freire, tem um vínculo umbilical com o governo, com a "política que está aí".

As contradições aparecem na própria União de Silas com Álvaro. O senador tem um viés centro-esquerda e algumas bandeiras que em nada se ajustam ao deputado piauiense. Numa outra linha, Silas abraça bandeiras de claro viés direitista e uma prática política que está distante do que se chama partido-movimento (das ruas, horizontal, de democracia direta).

No discurso de Álvaro Dias está o ataque direto aos grupos que dominaram o país na última década e meia. Acha que o PT fez propaganda enganosa ao vender um paraíso que nunca existiu. Em outras palavras: falseou e enganou. Quando ao atual governo, do PMDB de Michel Temer, rotula simplesmente de tragédia.

Já o líder do Podemos no Piauí é seguidor do PT, ou melhor, do governador Wellington Dias. E depende de Wellington para se manter na Câmara, já que não é dono de sua cadeira: é suplente em exercício. Assume algumas posições até dissonantes com Wellington, mas nada substantivo.

Assim, pode-se dizer que o Podemos nacional é de oposição. Mas o local tem um cheiro de governo que nem naftalina consegue esconder.

 

Wellington quer todos com ele

O lançamento do Podemos, ontem na FIESP, teve todo mundo, como de praxe. Estavam lá Wellington Dias (PT), Átila Lira (PSB), Robert Rios (PDT), Júlio César (PSD), Elmano Ferrer (PMDB), João Henrique (PMDB) etc etc. Mas Wellington foi mais rápido e lançou sua rede de arrasto.

Apesar do discurso da nova sigla, de ataque a tudo e a todos – na busca de uma “nova política” –, o governador nem deu ouvidos às falas. E disse que deseja o Podemos em sua aliança no Piauí. Isso exatamente quando o partido filiava Noberto Campelo como um potencial cabndidato ao lugar de Wellington.

O governador, portanto, segue as suas. Sabe cativar. E gosta de ter todos (ou quase  todos) no seu time.