Cidadeverde.com

Obama dá a receita: jovem precisa participar da política


Barack Obama com jovens brasileiros, em São Paulo: estímulo à participação da juventude na política

 

Em passagem pelo Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve uma preocupação: enviar uma mensagem particular para os jovens. E também saiu do discurso para a ação: manteve encontro com 11 jovens que considera lideranças promissoras, todos envolvidos em ações cidadãs que antes olham para o outro antes, jovens que pensam no coletivo. Na menagem, um brado que não deixa dúvidas: a juventude precisa participar da política. 

A preocupação de Obama vai no sentido contrário ao sentimento que move os jovens brasileiros. Aqui, os jovens cultivam – não por acaso – um sentimento antipolítica. Rejeitam a política pelo que a política tem oferecido de palpável e evidente: ineficiência, descompromisso, roubalheira. Diante de quadro tão terrível, os jovens se alheiam da política, essa praticada dentro dos partidos.

O que Obama diz é que essa rejeição é o mesmo que empurrar o país para as mãos dos aproveitadores que fazem da política um meio para fins nada dignos. E só há uma saída possível: participar, agir para mudar. É uma pregação que começa a ganhar corpo em alguns movimentos Brasil afora.

Nos últimos meses, o desencanto com a política deu lugar à esperança, no rastro de movimentos que tentam buscar novas lideranças. Exatamente o que prega Obama. Há plataformas à direita e à esquerda buscando alternativas, à procura de nomes que possam se comprometer com um novo jeito de lidar com a coisa pública e que entenda um novo caminho para a representação popular.

Há de tudo. Há grupos que reúnem pessoas preocupadas com os direitos individuais, com ações de natureza social, com a competitividade empresarial ética, com o meio ambiente etc. Mas todos coincidem em um aspecto: a nova política tem que pensar no coletivo, na sociedade. E aí temos uma boa notícia: há cada vez mais pessoas – não só, mas sobretudo jovens – pensando em agir numa perspectiva de mudar o coletivo.

Nesse time que traz essa nova faceta da mobilização social, há movimentos como o Bancada Ativista, que está procurando candidatos que podem vir a ser apoiados. O apoio se concretizará na medida da qualificação e dos compromissos do pretendente. A preocupação é encontrar quem esteja preparado tecnicamente para abraçar a ideia de um novo modo de gestão.

Outro movimento é a Transparência Partidária, que abraça a ideia de um novo arcabouço jurídico pautado pela transparência. Para esse grupo, a transparência é fundamental para a renovação das práticas políticas. Essa mesma linha é seguida pelo movimento Acredito.

O bom nisso tudo é que as pessoas envolvidas nesses movimentos não estão embaladas pela mosca azul, aquela que torna o poder uma meta a qualquer preço. Não. Não querem ser candidatos. Boa parte desses grupos pretende escolher candidatos que traduzam esses princípios que elegeram como fundamentais para a transformação da política.

Quando esteve no Brasil nessa última semana, Obama conversou precisamente com lideranças como essas, que estão pensando não em cargos, mas em diretrizes, em rumos para o país. E o ex-presidente dos Estados Unidos deixou também uma boa notícia: está disposto a apoiar grupos que tenham essa preocupação de participar da política.

Vale ressaltar: participar da política, não da politicagem.