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Violência expulsa morador do Rio. E o turista também

Cena recente de espaço turistico do Rio: em lugar de turistas, tanques que traduzem o tamanho da violência na cidade

 

O Rio de Janeiro vem, todos os dias, fazendo alertas para o Brasil. Mostra, por exemplo, o impacto da corrupção na vida do cidadão: atolado na roubalheira, o Estado faliu e os cidadãos se viram afogados por um mundo de ineficiência. A violência é o emblema principal desse caos, tanto que não só mais os turistas que se afastam no Rio. Agora são os próprios cariocas que desejam outro canto. Outro lugar. Uma outra cidade. Outro destino.

Não é por acaso: o Rio é a terra de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Carlos Nuzman, Eike Batista – alguns dos campeões nacionais em corrupção. E dá no que temos visto: o Estado ausente em pedaços importantes da cidade como a Rocinha, com seus 100 mil habitantes. Também dá no que acaba de revelar pesquisa DataFolha: 7 em cada 10 cariocas gostariam de deixar a cidade.

Vale a pena conferir alguns dados da pesquisa DataFolha.
• exatos 72% dos moradores do Rio dizem que gostariam de morar em outra cidade em razão da violência.
• 90% se sentem inseguros ao andar pelas ruas à noite.
• 62% dizem que as Unidades de Polícia Unificadora (UPP) não melhoraram a segurança na cidade.
• 57% afirmam que as UPPs sequer melhoraram a segurança dentro das comunidades.
• e 70% dos entrevistados são categóricos: o modelo de segurança precisa ser revisado.

A pesquisa tem como foco principal a problemática da violência e foi feita dez dias depois da ação na Rocinha que levou as Forças Armadas para a favela. O resultado se soma a outros dados, como o da Confederação Nacional do Comércio, que em julho mostrava o impacto da violêrncia no turismo: perdas de R$ 320 milhões em apenas quatro meses. Os turistas fogem da alta criminalidade carioca.

Os dados da recente pesquisa DataFolha agravam a leitura do impacto da violência em uma cidade onde dois terços dos moradores ouviram pelo menos um tiro na semana anterior. A avaliação do DataFolha também deixa evidente que a ação tradicional de combate a violência – só e somente só ação repressiva – está longe de ser eficaz. Nos últimos dez anos, o Rio viu uma enxurrada de ações especiais tais como a da Rocinha. Ocorreu em larga escala no Pan, na Copa das Confederações, na Copa 2014 etc. E tudo só tem piorado a tal ponto que o Rio se tornou caso único de mortes de policiais no mundo: já são mais de 100 este ano.

Também piorou a gestão pública, onde os gestores se esmeraram em tomar para si dinheiro que deveria ser destinado aos serviços e obras de interesse coletivo. Mais grave é que as ações de socorro ao Estado e à cidade do Rio de Janeiro não passam por correção de rumo, mas tão somente pelas velhas operações tapa-buraco. Ou seja: o cidadão segue pagando a conta sem ter nada em troca, nem mesmo perspectivas.

Os recados que o Rio de Janeiro dá cada dia ao Brasil são vários:
• É preciso cuidar da gestão pública, deixando a política em segundo plano.
• É preciso punir mais e mais os corruptos, sem o que não há saída.
• É preciso buscar saída contra a violência muito além da repressão.
• E, sobretudo, é preciso que o Estado faça sua parte, o elementar que seja – coisa que o Rio e boa parte do país não fazem.

Há um outro recado que fica: o cidadão também tem que fazer a sua parte. Achar que a malandragem faz parte do jogo político é o mesmo que legitimar a bandalheira. A mesma bandalheira que faliu o Rio de Janeiro e levou os cariocas e fluminenses ao desamparo e à completa desesperança.