Cidadeverde.com

O Brasil um ano antes da eleição: 2013 versus 2017


Mudança: em 2013 "o cara" da Justiça era o ministro Joaquim Barbosa; agora é o juiz Sérgio Moro

 

A um ano da eleição geral de 2018, a revista Veja fez um interessante comparativo entre o momento de hoje e o mesmo período de 2013, um ano antes da eleição de 2014.  Há algumas semelhanças. Mas, no geral, as diferenças são enormes, particularmente em relação a personagens específicos. Por exemplo: em outubro de 2013, a Java Jato sequer existia, enquanto hoje assombra meio mundo político. Em 2013, "o cara" da Justiça era o ministro Joaquim Barbosa, à frente do Mensalão. Agora é o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato.

Vale conferir esses dois momentos, acrescentando uma olhada específica sobre o Piauí.

Economia
• 2013: a política econômica já fazia água, mas a maquiagem cuidava de deixar tudo beleza. Ainda mais que vinha a Copa e a Olimpíada.
• 2017: depois de três anos recessivos, fala-se em recuperação. Mas nada consegue maquiar os 13 milhões de desempregados.

Política
• 2013: estava em baixa, com críticas que ressoavam desde as grandes manifestações de junho.
• 2017: está mais em baixa ainda. E o país carece de nomes que produzam esperança em multidões.

Lava Jato
• 2013: o nome no Judiciário era Joaquim Barbosa, que levou no peito o Mensalão.
• 2017: o nome do Judiciário é Sérgio Moro, o homem-símbolo da Java Jato, que (com 213 prisões e 107 condenações) superou o Mensalão com sobra.

Dilma
• 2013: estava no jogo, como favorita para as eleições de 2014 (que acabaria vencendo).
• 2017: está fora do cargo, afastada em um processo de impeachment. E sem força no PT.

Aécio Neves
• 2013: estava no jogo, como principal nome pela oposição. Perdeu, em uma disputa muito acirrada.
• 2017: após a delação da JBS, é quase um cadáver político ambulante, com dificuldades entre eleitores e no seio do seu partido.

Lula
• 2013: depois de passar sem processos pelo Mensalão, seguia popular e inclusive pensando em ser candidato no lugar de Dilma. Não conseguiu.
• 2017: segue popular, mas muito distante do que já foi. E com alta rejeição, além de uma condenação na Lava Jato que pode impedi-lo de ser candidato.

Michel Temer
• 2013: era o “vice decorativo” sem força popular. Contava porque tinha o respaldo do PMDB.
• 2017: assumiu o lugar de Dilma, ganhando poder e impopularidade. Para piorar, está no centro das delações da JBS. Seu governo tem aprovação de apenas 3%.

Sérgio Cabral
• 2013: era governador do Rio. Na onda da Rio 2016, via aumentar seu poder político. Chegou a ser cogitado para substituir Temer como vice de Dilma.
• 2017: é citado em praticamente todo escândalo de corrupção no Rio de Janeiro. Está preso e condenado a mais de 40 anos de prisão.

Eduardo Cunha
• 2013: não tinha força popular. Mas era reconhecido nos corredores da política de Brasília, pela força no baixo clero e nas maquinações dentro do governo.
• 2017: chegou a virar personagem nacional, após a eleição para a presidência da Câmara. Hoje está preso e condenado pela Lava Jato.

Jair Bolsonado
• 2013: mesmo bem votado, era visto mais como uma piada. Uma espécie de Tiririca da Bancada da Bala.
• 2017: segue na Bancada da Bala e tem o discurso do confronto como sua arma. É vice-líder na corrida à Presidência e ninguém ri mais de sua presença.

João Dória
• 2013: era um apresentador de TV com grande capacidade de ganhar dinheiro.
• 2017: após surpreendente eleição para a prefeitura de São Paulo, o prefeito-marqueteiro sonha com a Presidência. Também é bom não rir.

 

No Piauí, tudo igual com sinal trocado

No Piauí, a situação econômica reflete a realidade nacional, tanto em 2013 quanto em 2017. Já na política, o ano de 2013 tinha os governistas procurando um nome para disputar o Karnak. E a oposição exibia um nome certo: o de Wellington Dias (PT). A situação agora se inverteu, sem trocar de nome: Wellington é nome certo dos governistas, enquanto a oposição busca uma alternativa desesperadamente.

Resta saber se o desfecho será o mesmo de 2018.