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Investimento público é R$ 50 bi menor que há 3 anos

Artur Feitosa, da APEOP: redução de obras públicas compromete a atividade econômica

 

No início de 2013, a empresa de Artur Feitosa, especializada em obras públicas, tinha 360 funcionários. Menos de dois anos depois, no final de 2015, a mesma empresa tinha reduzido a 12 colaboradores, tamanha a escassez de obras públicas. A realidade de hoje não é tão caótica quanto a de 2015, o ápice da recessão recente enfrentada pelo Brasil. Mas o setor reclama horrores da falta de investimento público, que pode ser pior: o pouco realizado pode não se converter em recebimento.

Artur Feitosa, que é presidente da Associação Piauiense das Empresas de Obras Públicas (APEOP), fez essa revelação em entrevista ao Jornal do Piauí, da TV Cidade Verde, na sexta-feira. Mas está longe de traduzir a realidade apenas do Piauí, ainda que aqui a preocupação seja também com a falta de pagamento desse pouco realizado. O Brasil inteiro reclama mais investimentos públicos.

Não é para menos. Que o diga o Governo Federal: levantamento da ONG Contas Abertas mostra que, de janeiro a setembro desde ano, a União investiu R$ 25,3 bilhões. O valor é praticamente um terço do que foi investido (R$ 73,7 bi) no mesmo período de 2014, ano anterior ao descalabro recessivo deixado por Dilma Rousseff. Quase R$ 50 bi a menos em três anos. E, desde lá, os números só despencaram.

As quedas mais expressivas estão nos ministérios dos Transportes e das Cidades – sozinhos somam quase 15% do que foi subtraído de 2016 para 2017. Essas duas pastas respondem por obras de infraestrutura (sobretudo estradas), mobilidade urbana e moradia. Ao mesmo tempo, ferem de morte um dos setores cruciais para reversão do terrível índice de desemprego: a construção civil.

Quando Artur Feitosa se lamenta da situação do setor, ele traduz uma outra realidade: a redução do número de obras públicas, que resulta na perda de vagas de trabalho. Vale lembrar, conforme dados do Sinduscon, a construção civil piauiense demitiu mais da metade de seus operários apenas nos anos de 2015 e 2015. E 2017 não permitiu a reversão das estatísticas.

Todos esses números levam a uma outra informação, esta do IBGE: o reaquecimento da economia, nesses últimos meses, tem exatamente na construção civil o ponto negativo. É o freio no reaquecimento, uma espécie de agronegócios ao contrário. No ano, o setor registrou desaceleração superior a 15%.

Dois fatores apontam para essa queda: o fim das obras de projetos como Olimpíadas e os rescaldos da Copa do Mundo; e o enorme descontrole das contas públicas. Muitos estados estão falidos, como o Rio de Janeiro. O governo federal não está muito longe, com um rombo previsto para este ano de R$ 159 bilhões, repetindo 2016 e já apontando para a manutenção do mesmo deficit em 2018.

Em condições tais, fica difícil ter dinheiro para obras. E, assim, fica também difícil a retomada da economia nos níveis que o país exige.