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Sem corrupção, Brasil teria renda per capita R$ 10 mil maior.


Juiz Sérgio Moro: à frente da Lava Jato, tornou-se uma espécie de símbolo da luta contra a corrupção no Brasil

 

No início do mês, um artigo da economista Maria Cristina Pinotti lembrava: há uma forte correlação entre os índices de corrupção e a pobreza de um país. Nos países mais desenvolvidos, os índices de corrupção são baixos. Nos países pobres, a corrupção é alta. A constatação é reforçada agora por um estudo do FMI, que fez um seminário para discutir o assunto e juntou tudo em um detalhado documento.

E a constatação dos economistas que fizeram o estudo mostra que, no Brasil – assim como em toda a América Latina –, o rigor no combate à corrupção elevaria a renda per capita do país em cerca de U$ 3 mil. Traduzindo: a renda de cada brasileiro seria algo em torno de R$ 10 mil reais a mais, como média.

Não é pouca coisa: dados do mesmo FMI, referentes a 2015, mostram que a renda per capita brasileira estava em U$ 8.670. Ou seja: o combate à corrupção resultaria em um aumento em mais de um terço no valor do PIB per capita. Nada mal.

O estudo do FMI, que contou na equipe com o economista brasileiro Carlos Eduardo Gonçalves, indica que a corrupção é mais responsável por reduzir o crescimento, do que o nível de desenvolvimento gerar corrupção. Ou seja: não tem essa história de quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha. Nesse caso, a corrupção vem primeiro como definidora de atraso e redução do poder econômico.

Esses dados são importantes no momento em que tantas forças nacionais se esforçam em questionar e até em minar a Lava Jato. Suspeita-se que está em curso uma “operação abafa” com ramificações nos três poderes, no sentido de minar os resultados da Lava Jato.

Isso também ocorre em um momento em que o juiz Sérgio Moro concede uma de suas raras entrevistas. Prudente e medindo palavras, o juiz toma o cuidado de não fazer juízo de valor sobre quem julga e até mesmo evita citar o nome de pessoas que julgou ou julgará. Mas adverte com muita propriedade: o combate à corrupção não se resume aos processos.

Lembrou quer as investigações na Lava Jato mostraram uma realidade sistêmica, que pode em muita medida ser explicada pelo sistema político de partilha de cargos. Moro ressalta, usando outras palavras: é preciso combater o que favorece essa prática tão distendida.

Mas, ao contrário, o que se vê é um movimento no sentido de perpetuar certas práticas. E se o estudo do FMI estiver certo, significa dizer que perpetuar esse modelo que leva à corrupção sistêmica é o mesmo que condenar nosso país a um lugar subalterno, de subdesenvolvimento.

Sim, porque a corrupção passa a fatura. E como passa.