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Reformas ficam como desafio para próximo presidente


Congresso Nacional: de olho em 2018, parlamentares devem esquecer reformas e cuidar, ainda este ano, só do Orçamento da União

 

As lideranças do governo no Congresso Nacional começam a ensaiar um discurso que indicaria uma dupla confiança: a imediata retomada das discussões das reformas, em especial a da Previdência. O otimismo em dobro parte, primeiro, da confiança de que a denúncia contra o presidente Michel Temer, a ser votada amanhã no plenário da Câmara, será engavetada. E, segundo, passa pela ideia de que os congressistas terão ânimo para discutir qualquer reforma.

O otimismo quanto ao desfecho da votação de amanhã parece bastante apropriado. Mesmo oposicionistas como o deputado Assis Carvalho (PT-PI) não conseguem esconder a perspectiva da vitória do “presidente golpista” – como ele se refere a Temer – no plenário da Câmara. Já a volta das reformas à pauta do Congresso não anima nem mesmo os governistas.

Ainda assim, alguns dos fieis e empenhados aliados do presidente da República retomam o discurso da urgência e oportunidade da reforma, o que viabilizariam a votação de reformas como a da Previdência e a Tributária. Mas as condições colocadas por esses líderes – por exemplo, uma proposta “desidratada” da reforma da Previdência – já trazem indícios das dificuldades.

O que parece óbvio é que as duas propostas mais ressaltadas agora (Previdência e Tributária) reúnem graves conflitos de interesses. E o mais provável é que os congressistas não se mostrem muito dispostos a entrar em divida – temas polêmicos, com efeito negativo na opinião pública – quando o ano caminha para o fim e logo começa o período eleitoral.

Reforma, pra valer!, será um desafio para o próximo presidente.

Mesmo que o Congresso conseguisse a improvável aprovação de uma desidratada reforma da Previdência, o tema teria que ser naturalmente retomado pelo presidente eleito em 2018. Há muito o que ser feito, como se reconhece no governo e na oposição. E a primeira coisa que o próximo governante deve fazer é discutir de forma aberta e desapaixonada esse tema tão complexo e controverso.

Para o ano de 2017, resta pouco a fazer. Além dos espetáculos para a plateia em torno de temas como a própria denúncia contra Temer e a CPI da JBS e BNDES, sobra basicamente a discussão em torno do Orçamento da União para o próximo ano. Esse, sim, vai gerar discussões com efeitos importantes.

O resto é jogo de cena para entreter o respeitável público eleitoral.