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PSB do Piauí pode virar estrela de segunda grandeza


Wilson Marins com Átila, Rodrigo e Heráclito: todos ainda no PSB, mas com perspectivas de mudança de partido até março de 2018

 

Nas eleições de 2008 a 2014, o PSB mostrou força no Piauí e no Brasil por razões muitos particulares. No Piauí, na perspectiva de poder imediata ancorada no comando do vice-governador (e depois governador) Wilson Martins. No cenário nacional, pela perspectiva futura que oferecia a liderança de Eduardo Campos. O cenário mudou completamente e agora uma luta fratricida promete empurrar o PSB para discreta coadjuvância.

O Piauí é bem tradutor dos problemas nacionais do PSB. Olhando hoje, o partido é no Piauí uma fortaleza, como uma das três siglas com mais prefeitos, uma das três com mais deputados estaduais e a legenda que mais elegeu deputados federais. Três dos dez: Átila Lira, Rodrigo Martins e Heráclito Fortes. Um exemplo comparativo: o todo poderoso PMDB elegeu só um, Marcelo Castro.

Além da perspectiva oferecida pela liderança de Eduardo Campos – que contribuiu para Heráclito desembarcar no partido ainda em 2013 –, o trabalho de Wilson Martins foi enorme. Chegou a eleger, em 2012, mais de 50 prefeitos. E, apesar da derrota pessoal, desaguou na eleição dos três deputados federais, o que torna a bancada do PSB piauiense a segunda maior do país, atrás apenas de Pernambuco, a terra de Campos.

Pois essa bancada pode desaparecer, cair de três para zero. Heráclito já está certo que sai do PSB. Átila também. E Rodrigo não esconde as divergências com a direção nacional do partido, comandado por Carlos Siqueira, que na época de Eduardo Campos era um faz-tudo, um burocrata que fazia o partido andar. Daí a ser presidente é outra coisa. E, no dizer de Átila, quer levar o PSB para um esquerdismo retrógrado, mais afeito à centenária revolução russa que aos tempos atuais.

Por conta disso, o partido se desminlíngua. Há uma forte disputa interna, uma guerra fratricida que pode vitimar a ambos os lados. O lado que está segurando o cabo da faca é o liderado por Siqueira e deseja o partido atrelado ao PT. O outro lado é liderado por Márcio França, vice-governador de São Paulo e que não se alia ao PT. É possível que Carlos Siqueira vença essa, até porque os fustigados por ele já estão buscando novos pousos.
 

Debandada geral até em Pernambuco

O desdobramento da disputa interna no PSB deve levar à debandada geral do partido. E a debandada começou precisamente pelo estado onde a sigla se mostrava mais forte, Pernambuco, com a saída do senador Fernando Bezerra e do deputado (e ministro) Fernando Bezerra Filho.

Em Pernambuco, o irmão de Eduardo Campos já abandonou a sigla. E há quem especule que até a mãe de Eduardo, a ministra do TCU Ana Arraes, pode se aposentar da Corte e voltar à vida política. Também em uma outra sigla – talvez Podemos. Por enquato é só especulação, sobre a qual Ana não se manifesta, até porque não pode se manifestar sobre questões partidárias.

Aqui no Piauí? Bom, aqui Wilson Martins tem o PSB sob controle, com um bom número de aliados. Mas não ficará sozinho, muito menos em uma sigla que pode seguir rumos diversos do que deseja. Os desdobramentos nacionais que tendem a tirar também Rodrigo Martins da sigla podem levar a energia de Wilson para um novo partido.