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Aumento de imposto eleva tensão entre Wellington e Ciro


Senador Ciro Nogueira e governador Wellington Dias: cresce tensão entre os líderes do PP e do PT, aliados de 2014

 

A proposta de aumento de imposto apresentada pelo governador Wellington Dias (PT), contra a qual se posicionou a bancada do PP na Assembleia Legislativa, faz crescer a tensão entre o governo e o grupo do senador Ciro Nogueira.  O ponto alto foi a decisão de Wellington de fazer retornar à Assembleias deputados deputados titulares e devolver à suplência Belê Medeiros e B. Sá Filho, ambos do PP de Ciro.

A decisão de Wellington foi uma resposta à posição da bancada progressista. O governador não quer correr o risco de perder a votação da proposta de aumento de imposto, que deve ser votada hoje no plenário da Assembleia. A decisão que excluiu B. Sá e Belê foi vista como exagerada, já que mesmo com os três votos contrários do PP – além de Belê e Sá, tem o de Júlio Arcoverde –  avalia-se que o governo deveria ter 17 votos favoráveis, em 30.

A intenção de não correr risco fará agora que o governador some 19 votos a favor da proposta que aumenta a alíquota de impostos para combustíveis, telefonia e cigarro. A decisão é lida segundo duas possibilidades: primeiro, um recado para Ciro Nogueira, como resposta à decisão da bancada de não votar conforme o interesse do governo; segundo, como cuidado adicional para não correr risco de perder uma votação considerada fundamental para manter as contas do governo em 2018. Ou as duas coisas.

Seja como for, a tensão entre o PP e o PT volta a rescer. Ela chegou a um nível bastante elevado no primeiro semestre do ano passado, no processo de votação do impeachment de Dilma Rousseff. Na votação, o PP foi decisivo ao retirar o apoio à presidente petista e votar pelo impeachment. Desde então, muitos petistas não tem se furtado aos ataques a Ciro.

Outro episódio que aumentou a tensão foi a votação da segunda denúncia contra Michel Temer, semana passada, quando o deputado Fábio Abreu (PTB) reassumiu sua cadeira na Câmara para votar contra o presidente. No PP, há quem veja o dedo do governador Wellington Dias nessa decisão – que tirou momentaneamente Maia Filho (PP) do Congresso e deu mais um voto pela denúncia. Agora a tensão chega a níveis bem elevados com a decisão da bancada do PP de votar contra o aumento de imposto e a resposta do governador, que mandou os suplentes Belê e B. Sá Filho para casa.
 

Governo quer extra de R$ 150 milhões

Segundo cálculos da secretaria da Fazenda, a proposta de aumento de imposto deveria gerar um aporte de R$ 150 milhões de Reais no próximo ano. Esse valor caiu para cerca de R$ 110 milhões em receita adicional, já que foi retirada da proposta original o aumento de imposto sobre a anergia.

O projeto do governo de aumentar imposto deve ser apreciada ainda hoje na Comissão de Finanças da Assembleia. Lá, o governo deve perder, já que o voto de Júlio Arcoverde tende a gerar o desempate contra a proposta. Exatamente por isso o líder do governo, deputado João de Deus (PT), decidiu pedir “urgência urgentíssima” para a matéria. Com isso, a proposta pode ir direto para o plenário, sem dar atenção ao relatório a ser apresentado na comissão pelo deputado Rubem Martins (PSB).

Segundo o regimento, uma matéria a ser apreciada em situação de “urgência urgentíssima” deve ser avaliada em duas sessões subsequentes. Pela oposição, essas sessões deveriam ser em dois dias. A prática na Assembleia, no entanto, mostra a realização de sessões seguidas, em um mesmo dia.

É o que deve acontecer hoje. Com a provável vitória do governo, com 19 novos favoráveis à proposta de aumento de importo.