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Estado ainda não tem dinheiro para 2ª parcela do 13º


Emílio Júnior, da Secretaria da Fazenda: preocupado com salários, governo paga só despesas essenciais
 

O Piauí começa a ser associado ao bloco de estados que atravessam uma situação financeira mais complicada que a média. Foi o que fez o jornal O Estado de S. Paulo em matéria deste domingo, onde relaciona quatro estados em situação caótica: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Todos terão problemas para pagar o 13º salário. E a matéria alerta: o Piauí está chegando nesse bloco, fazendo conta de chegar para assegurar os salários dos servidores.

Segundo o levantamento feito pelo “Estadão”, esses quatro estados já não pagaram a primeira parcela do 13º e tudo indica que não pagarão parcela nenhuma até o final de dezembro. Tem que ficar para o ingresso de novos recursos no início do ano. No caso do Rio Grande do Norte, é uma situação que se repete já há três anos. Para se ter uma ideia, lá o 13º de 2015 só foi pago em junho de 2016.

O Piauí está pagando normalmente a primeira parcela do 13º salário. Mas as perspectivas são preocupantes, conforme relata o jornal com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado. Diz o "Estadão":

Com 99 mil servidores e uma folha de R$ 365 milhões, o Piauí já pagou aproximadamente R$ 180 milhões em 13.º salário neste ano – os funcionários recebem a primeira parcela no mês de aniversário. Para quitar o restante, porém, ainda não há recursos disponíveis. ‘Estamos pagando só as despesas essenciais para tentarmos cumprir o prazo (de pagamento), que é 20 de dezembro’, diz o superintendente do Tesouro, Emílio Júnior”.

O governador do Estado tem dados muitas demonstrações de preocupação com esse quadro e a real possibilidade de não honrar os compromissos com o servidores públicos.
Segurar pagamentos: como disse Emílio Júnior, pagamento só o que for absolutamente essencial. O resto que espere.
Imposto: o governador Wellington Dias (PT) desdobrou-se para aprovar o aumento de impostos, inclusive fazendo algo que não é de seu feitio: comprar briga com aliados (no caso, o senador Ciro Nogueira).
Ir à justiça sobre empréstimo: quer assegurar, via justiça, o uso de recursos de empréstimos para o pagamento de servidores.
Apelar à oposição: depois de comprar briga com a oposição e com aliados, o governo está se articulando como pode para resgatar recurso extra da Eletrobrás, ainda referente à federalização da Cepisa. Está recorrendo inclusive a gente da oposição.

O governo sabe que um eventual atraso salarial pode ter consequências dramáticas, em todos os campos: na economia, afetada diretamente pela queda do poder de compra do servidor; no social, já que o drama que vem desde a recessão seria ampliado, com impacto sobre o emprego; nos serviços públicos, porque certamente haveriam desdobramentos, tais como greves; e no político, com perda de apoio popular e de lideranças. Ninguém no governo quer ser lembrado como um novo Mão Santa.

Mas, independente de querer, a situação se mostra especialmente dramática. E o governo terá que fazer muito malabarismo para manter os pagamentos em dia.