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Aécio joga biografia no lixo e pode levar PSDB

Senador Aécio Neves: o homem que quase levou o PSDB de volta ao Poder está jogando a própria biografia no lixo. E pode levar o partido


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve muito perto de chegar à presidência da República, em uma eleição onde alcançou quase metade dos votos. Mas a biografia do tucano que quase destrona Dilma Rousseff (PT) através do voto está sendo lançada diretamente no lixo. E pelo próprio Aécio. O detalhe é que, nos momentos finais de seu protagonismo dentro do PSDB, ele faz um esforço muito grande para levar junto o partido.

O último movimento catastrófico de Aécio foi a decisão desta quinta-feira, de destituir o senador Tasso Jereissati da presidência interina do partido. Isso exatamente um dia depois de Tasso se lançar candidato à presidência do partido, em uma eleição marcada para daqui um mês.

Desde que veio a público as gravações de Joesley Batista, em que o senador mineiro aparece negociando valores – um empréstimo? – com o dono da JBS, Aécio ficou em situação muito difícil. Mas não teve grandeza para dar um passo atrás e ceder protagonismo. Ao contrário: estrebuchou como pode para apegar-se a qualquer nesga de poder dentro do partido.

Depois das gravações da JBS, em maio, Aécio foi afastado do mandato. Quando retornou, a única concessão foi que seguiria licenciado. Renunciar à presidência, nem pensar! Agarrou-se ao cargo como a moeda política que restava – sobretudo na negociação com o governo Temer. A conseqüência foi um crescente desgaste, logo transferido para o partido.

Mas podia piorar. E piorou com o segundo afastamento do mandato, que contornou com mais entendimentos com o presidente Temer. O presidente assegurou os votos do PMDB a favor do senador, que por sua vez garantiu os votos de uma fatia do PSDB para engavetar a segunda denúncia contra Temer. E piorou mais ainda agora, quando destituiu Tasso da presidência interina do partido.

Um sinal de pequenez. De autoritarismo. De miopia política.

Aécio assumiu todas essas imagens por apenas um mês de mandato interino de Tasso. E pode terminar gerando uma reação interna que favoreça o próprio Tasso, no embate interno contra Marconi Perillo, o governador de Goiás que tem o apoio de Aécio na disputa pela liderança do partido.

 

Um partido que se desmancha em público

Sob a liderança de Aécio Neves (MG), o PSDB conseguiu se desmilinguir. O senador até gerou esperanças, em 2014, quando ameaçou ganhar a eleição. Mas terminou perdendo, e muito por não ter conseguido nos três anos anteriores ser vistos como oposição, como a alternativa real.

Depois de 2014, a coisa não andou bem. Aécio avalizou o impeachment de Dilma e levantou a voz, acossando os petistas com o discurso da ética. Nada que uma JBS não jogasse de uma vez por todas no lixo. E agora o PSDB paga um preço alto, sobretudo, pelos maus passos do senador.

Depois das gravações, o PSDB perdeu o discurso. Não se sabe se é oposição ou governo, se está na luta contra a corrupção ou afundado nela. E isso tudo tem muito a ver com Aécio: pela tibieza das posturas e pelas revelações inexplicáveis.