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Saída de Bruno Araújo dá início à reforma ministerial

Deputado Bruno Araújo, que em outros tempos já bateu panelas na Câmara, inicia debandada tucana e abre reforma ministerial

 

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PMDB-PE) entregou hoje a carta de demissão do cargo, o mais cobiçado entre todos os ocupados pelos tucanos. A demissão inaugura a um só tempo dois movimentos. O primeiro, a debandada tucana do governo Michel Temer. O segundo, a reforma ministerial tão cobrada pela base de apoio ao governo, Centrão à frente.

Fica claro que Buno Araújo não gostaria de deixar o cargo: é um ministério poderoso, com ações capilarizadas – que em politiquês significa capacidade de atuar desde as grandes cidades até os cafundós, com ampla possibilidade de traduzir tudo isso em resultados eleitorais. Ao encaminhar a carta de demissão, o agora ex-ministro disse já não conta dentro do PSDB com o “apoio no tamanho que permita seguir nesta tarefa”. Ou seja: sai por falta de apoio, não por vontade.

E aí está a senha para demonstrar que os tucanos estão de saída – por querer, ou porque não dar mais. Mas isso até Aécio Neves, o mais governistas dos tucanos, já sabia - veja postagem anterio. Agora os demais ministros devem cair como pedras de dominó. A debandada pode acontecer até mesmo antes do encontro nacional do PSDB, marcado para 9 de dezembro, que deve apenas formalizar a saída, com direito a alguns discursos inflamados.

O pedido de demissão de Bruno Araújo deve, assim, formalizar o início da reforma ministério tão cobrada pelos partidos que integram o Centrão – siglas que foram fundamentais para rejeitar as duas denúncias contra Temer e que ainda esperam a contrapartida por tal empenho.

Cabe lembrar, o PSDB contava com quatro ministérios: além da pasta das Cidades, agora desocupada por Bruno Araújo, tem ainda o ministério das Relações Exteriores (sob o comando do senador paulista Aloysio Nunes Ferreira), o dos Direitos Humanos (Luislinda Valois) e a Secretaria de Governo (deputado baiano Antonio Imbassahy).

O Centrão sempre reclamou de Imbassahy, mas o olhar de cobiça estava focado desde o começo no lugar de Bruno Araújo, precisamente pela capacidade da pasta transformar ação em voto. É o primeiro posto que Temer tem à disposição para agradar a turma do Centrão.

O detalhe é que a reforma que Temer pretendia fazer para agradar essa turma era a troca de Bruno Araújo e de Luislinda Valois. Agora deve mudar todo mundo, sobretudo porque o PSDB se encaminhar para formalizar a saída do governo até o encontro do dia 9.
 

PSDB do Piauí há muito pedia saída

Já há algum tempo o PSDB do Piauí pedia o afastamento do governo Temer. Esse sentimento foi explicitado há meses pelo deputado Marden Menezes, que até o final de semana ocupava a presidência estadual da sigla. Foi reafirmado pelo deputado Firmino Paulo, tão logo assumiu o posto em substituição a Marden.

O desagrado dos tucanos piauienses tinha uma razão principal: a proximidade com Geraldo Alckmin, o que significava um certo distanciamento de Aécio Neves. Alckmin há muito queria o PSDB fora dos cargos federais. Mas foi vencido por Aécio e sua turma. Depois de maio, porém, com as gravações da JBS que envolveram Temer e Aécio de uma só vez, o desconforto cresceu. E o desejo de sair do govgerno cresceu.

Agora está a ponto de ter o desfecho há muito desejado pelos tucanos piauienses. Resta saber se a saída do governo Temer reconduzirá o PSDB (local e nacional) a um lugar mais destacado na corrida eleitoral de 2018.