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Ciro dá as cartas na reforma ministerial

Senador Ciro Nogueira, presidente do PP: figura central na definição dos rumos da reforma ministerial a ser feita por Michel Temer


O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressista, está no centro da discussão da reforma ministerial que o presidente Michel Temer intenciona fazer. Foi o primeiro dirigente de partido aliado ouvido por Temer. E por uma razão simples: a mudança na Esplanada dos Ministérios começa pela acomodação do PP. Daí, Ciro já colocou suas cartas na mesa.

Vale lembrar, o PP é o maior partido aliado, atrás apenas do PMDB. É também o mais fiel dos aliados.

O senador diz publicamente que não imporá condições ao presidente da República. Também afirma deixar Temer à vontade para decidir se fará mesmo uma reforma ampla, antecipando as mexidas previstas apenas para março. Mas Ciro tem suas preferências. Deseja ver com seu PP o Ministério das Cidades – o presidente Temer sabe disso e tomou nota. Também gostaria que agora fosse uma reforma mais pontual, deixando as mexidas mais substantivas para o final de março. Mas pode ser que a necessidade de uma votação da reforma da Previdência obrigue o Planalto a optar pela ampla mudança ministerial – seriam 17 mudanças.

A única pressa que o presidente do PP tem é na ocupação pela base aliada dos espaços do PSDB. Talvez pense como tantos outros aliados: é melhor que a mudança aconteça logo, antes da convenção do PSDB – para não haver o risco de Aécio Neves ganhar a particular disputa tucana e resolver permanecer no governo.

Apesar das muitas possibilidades, está claro que o Progressistas é peça chave na definição dos rumos da reforma ministerial. E Ciro toma cuidados para ser um agregador dentro da própria base, o que o coloca como mais decisivo para as pretensões do governo, agora e nos próximos meses.

O nome preferido de Ciro para o Ministério das Cidades é o de Gilberto Occhi, atual presidente da Caixa Econômica por indicação do próprio presidente do PP. É técnio. Bem visto pelos aliados. E, sem pretensões eleitorais, pode ficar até dezembro de 2018. Além disso, o senador avisa aos aliados que pode ter no ministério uma espécie de gestão compartilhada. Ou seja: o ministério não será uma exclusividade do PP, mas uma porta aberta para a base que sustenta Temer.

Esse tipo de conduta já vem sendo adotada por Occhi na Caixa. Não será nada estranho para ele. E será uma graça para os demais partidos da base.

A conseqüência é a afirmação de Ciro Nogueira como agregador político que vai se tornando imprescindível para a reforma ministerial e para a própria governabilidade.