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Fundo Partidário vai fazer diferença na eleição 2018


Campanha eleitoral: em 2018, valores assegurados pelo Fundo Partidário podem começar a fazer a diferença entre candidaturas

 

É cada vez maior o número de analistas que enxergam o cenário eleitoral de 2018, na disputa pela presidência da República, como muito semelhante ao de 1989. Há muita coisa igual: onda de corrupção, enorme crise econômica, descrédito da política, desesperança. Tudo isso deve deixar a eleição do próximo ano completamente aberta, e talvez indefinida até a fase final da disputa.

Mas há importante diferença em relação a 2018 que pode começar a afunilar a corrida por um mandato,  especialmente no suporte de recursos. Isto é: o Fundo Partidário pode ser um definidor de rumos das campanhas, porque há uma enorme diferença na distribuição entre partidos.

Em entrevista recente, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, disse que esta será a primeira eleição em que os partidos não terão acesso às tesourarias das empresas. A afirmação mostra que os partidos vão enfrentar problemas para o financiamento das campanhas, antes feito à base de caixa 2. Isso dá mais força ao dinheiro proveniente do Fundo Partidário.

Isso é uma má notícia para as pequenas siglas, porque o Fundo tem uma distribuição proporcional à representação partidária no Congresso. E isso terá efeito nas campanhas majoritárias e proporcionais.

Quando foi criado na micro reforma política encerrada no início de outubro, os legisladores olharam para o umbigo: o dinheiro do Fundo vai privilegiar os parlamentares. Mas isso também tem a ver com as eleições majoritárias, porque os candidatos a deputado tendem a seguir com os candidatos majoritários de seus partidos. Assim, candidato a deputado forte tende a fortalecer o candidato majoritário, pois consegue carrear mais votos para o seu candidato a governador, senador ou presidente.

 

PSDB e PT, sete vezes mais que PPS

Um exemplo da diferença de valores distribuídos pelo Fundo Partidário pode ser visto na avaliação de três partidos que deverão apresentar candidatos ao palácio do Planalto. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, PT e PSDB, as duas siglas que monopolizam a disputa presidencial desde 1994, terão sete vezes mais recursos que o PPS.

Isso quer dizer que, se o PPS realmente sair com a candidatura de Luciano Huck, começa em enorme desvantagem. Além do pouco tempo na TV, terá dinheiro de menos para levar adiante a candidatura do apresentador. Esse dinheito faz a campanha: carro de som, viagem, montagem de palanques, contratação de assessores etc

Os valores não estão claros, mas avalia-se que o PPS terá em 2018 algo em torno de R$ 50 milhões do Fundo Partidário. Já o PT e o PSDB podem ter valores acima de R$ 300 milhões.