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Funrural soma 80% dos gastos com previdência no Piauí


Ney Ferraz, Superintendente do INSS: aposendorias do Fundural são maioria no estado do Piauí

 

As aposentadorias dos trabalhadores rurais, o chamado Funrural, representam 80% dos benefícios do INSS que todos os meses são pagos no estado. Foi o que revelou ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o superintendente do INSS no Piauí, Ney Ferraz.

Segundo Ferraz, os benefícios do INSS pagos a piauienses somam cerca de R$ 500 milhões mensais. Os 80% a que se refere Ney Ferraz corresponderiam a R$ 400 milhões. “É um valor que até assusta”, admitiu Ferraz. Vale ressaltar, esses benefícios são assegurados a aposentados que nunca contribuíram para a Previdência.

O superintendente também admitiu que pode haver irregularidades em parte dessas aposentadorias. Mas ressaltou o empenho do INSS no combate aos diversos tipos de irregularidades. Esse trabalho levou à prisão, ontem, de um casal envolvido em fraudes à Previdência. Em um primeiro momento avalia-se que o casal gerou prejuízo de R$ 2 milhões, mas o valor pode ser muito maior e envolver muito mais pessoas.

Esse trabalho está sendo feito com a fundamental participação da Polícia Federal. Há suspeita inclusive da participação de serviços do órgão, que podem funcionar como facilidades das irregularidades.


O que é mesmo o Funrural

Funrural é a sigla para Fundo Nacional de Assistência ao Trabalhador Rural, instituto criado em 1971 com o fim de assegurar benefícios e proteção para os trabalhadores do campo, que normalmente não tinham vínculo empregatício. Através de testemunhos e outros documentos atestando a atividade rural do trabalhador, ele passava a ter a cobertura do Funrural.

Ainda na década de 1970, o Funrural se transformou em um grande instrumento político, com unidade administrativa na maioria dos municípios. Essa relação com a política também gerou a produção de muitas aposentadorias para pessoas que nunca tinham de fato trabalhado no campo.

Na discussão da Reforma da Previdência, a proposta inicial previa o fim dessa aposentadoria no futuro, resguardando os direitos adquiridos. Mas a pressão especialmente da bancada do Nordeste levou à exclusão dessa mudança na “reforma enxuta” agora proposta pelo governo.

Para ouvir a entrevista completa de Ney Ferraz, acesse o arquivo abaixo.