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Disposto a ser candidato, Huck já começa a apanhar


Luciano Huck: apresentador que se diz disposto a ser candidato já começa a apanhar da possível concorrência

 

Pesquisa do Instituto Ipsos apontou, ontem, uma surpreendente aprovação ao nome do apresentador Luciano Huck, um nome que está sendo citado como potencial candidato á presidência da República. Surpreendeu o índice. Mas surpreendeu mais ainda a reação do mundo político, que não perdeu a oportunidade de atacar o apresentador e exibir o que consideram ser suas vulnerabilidades.

Chamou especial atenção os ataques partidos de dentro do PT, Lula à frente. O ex-presidente disse que Huck pode realizar seu desejo, porque nada melhor que enfrentar um candidato com o logotipo da Rede Globo na testa. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, afirmou que o lançamento da candidatura do apresentador é “desespero da direita” para atacar Lula. E olha que ainda nem lembraram que Luciano apoiou Aécio Neves em 2014.

As reações talvez mostrem uma força que não era enxergada em Huck. E revela de modo particular um aspecto do cenário da disputa eleitoral do próximo ano, em que o apresentador se coloca com uma alternativa – ainda longe de ser concretizada até mesmo como simples candidato.

Antes de mais nada, é preciso olhar o que significa a pesquisa Ipsos: é um barômetro de opinião com sondagens sequenciadas mostrando a aprovação ou desaprovação de personalidades. Enquanto quase todo mundo perdeu aprovação, Huck deu um salto de 17 pontos porcentuais desde setembro, passando de 43% para 60% de aprovação – a desaprovação caiu de 40% para 32%.

Mas, como bem diz o senador Cristovam Buarque (PPS), essa aprovação talvez fosse alcançada também por Faustão. Ou seja: não é a aprovação a um potencial candidato, mas a uma personalidade presente na mídia e amplamente conhecida. Ainda assim, não deve ser desprezada. Mostra que há campo aberto para o marido de Angélica.

O cenário pré-eleitoral deixa evidente um claro vácuo no eleitorado de centro, que ainda não se decantou por nenhum candidato. Praticamente todo mundo está tentando conquistar esse eleitorado, de Bolsonaro (PEN) a Lula. Bolsonaro atenua o discurso e Lula abandona o bordão do “nós contra eles” para reencarnar o tom da conciliação. Há ainda Geraldo Alckmin e João Doria, os dois presidenciáveis do PSDB, que poderiam mais facilmente falar com o Centro. Ainda não foram ouvidos pelo eleitor.

De verdade, até agora ninguém ocupou esse vácuo. O perfil de Luciano Huck poderia se encaixar nessa lacuna. Mas o perfil não é suficiente. O apresentador é visto como novidade – o que é bom para ele. Mas também é enxergado como inexperiente – o que é uma má notícia. Tem o desafio de aproximar-se de políticos tradicionais sem perder o verniz de novidade.

Antes tem que convencer o próprio PPS – partido de Cristovam, que o convidou para ingressar na sigla – de que é um candidato a ser levado em conta.

Agora é esperar os próximos passos. E vê como Luciano Huck vai reagir às pancadas que aumentarão de intensidade. E também como vai conseguir mexer nesse caldeirão político recheado de desesperança cidadã. Com certeza, é muito mais complicado que mexer no cenográfico caldeirão de um programa de TV.