Cidadeverde.com

Wellington faz recuo político para poder avançar


Wellington Dias e Firmino Filho: governador age para não fechar porta que viabilize ligação política com o prefeito

 

Era para ser um embate entre governo e oposição. De um lado, Firmino Filho (PSDB), arvorando-se de nova voz da oposição. De outro, Themístocles Filho (PMDB), que não se escondeu ao ver seu partido excluído do governo municipal que ajudou a eleger em 2016. E, como pano de fundo, a disputa eleitoral de 2018, sobre estar ou não estar com Wellington Dias (PT) em seu projeto de buscar um quarto mandato. Pelo figurino, era para Wellington nem dar as caras, se fazer de morto. Mas fez exatamente o contrário.

Quando Firmino levantou a voz e fez a oposição acreditar que enfim teria um candidato de alta plumagem, Wellington vestiu a roupa da humildade e desceu do Palácio do Karnak para o gabinete do prefeito Firmino Filho, no Palácio da Cidade. As imagens são reveladoras desse figuro que o governador veste tão bem, quando lhe é conveniente: no gabinete do prefeito, sentou-se à mesa como um segundo, espectador de um Firmino que falava desde a cabeceira.

Claro, não teria sentido algum Wellington tomar a cabeceira da mesa na casa do anfitrião. Mas Firmino não teve a gentileza de desloca-se para uma cadeira lateral, deixando a cabeceira livre. Ficou como o dono do pedaço. Mas isso não tinha a menor importância para Wellington. Ali, o que importava era a ponte que colocava entre o projeto de (nova) reeleição e o nome que poderia (e ainda pode) ser seu adversário mais sério.

Wellington tem nas mãos a mais cobiçada caneta do Estado, aquela que controla um orçamento de mais de R$ 10 bilhões. Apesar disso, não assume um lugar de arrogância e prepotência – até porque, se for preciso, tem quem faça isso por ele. Ao contrário: é jeitoso; é afável; é cativante. E sabe usar as armas que tem. Todas. Só descarta alguém quando esse alguém realmente não conta. Ainda assim não pisoteia. Deixa definhar – politicamente falando, claro.

Executa como poucos a mais antiga arte da política: abrir portas, deixar as alternativas à mão. Quando for a hora, decide em qual delas entra. E quais fecha.

Vem fazendo isso com quase toda a oposição. Ouve Robert Rios desancar seu governo. Mas não se esquiva de uma rodada de rum e violão na casa da principal voz da oposição. Desde 2016 acena para o PSB de Wilson Martins. Alguns socialistas se animaram com o aceno. Ficou nisso. Mas enquanto esperavam algo concreto, deixaram de ser contundentes com o governo. E, agora que partem para o ataque, percebem que uma boa parte do caminho já foi percorrido, está perdido.

No meio da querela entre PSDB e PMDB, que poderia sobrar para Wellington, o governador saiu de seu lugar “superior” de governador e foi até o prefeito. Oficialmente, para discutir questões administrativas. De fato, de fato, para serenar o clima político. Deixa aberta a porta do reversível que pode servir tantos aos seguidores de Firmino quanto aos do governador.

Pode-se atacar o gestor – e são muitos os ataques, ultimamente. Mas é difícil atacar o político Wellington. É o encantador de serpentes. O mágico a hipnotizar a plateia. E, ao final, o mocinho que vai arrebatar os aplausos.

O espetáculo de 2018 já começou. E, por enquanto, só tem um protagonista: Wellington.