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Vale a pena discutir quem é a ‘esquerda moderna’ de Cristovam?

Em entrevista ao Acorda Piauí, ontem, na Rádio Cidade Verde, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi duro com seus colegas de esquerda. À procura de alguém que represente o que chamou de “esquerda moderna”, disse que Lula (PT) está nos anos 50 e que Ciro Gomes (PDT) é mais atrasado que Lula. Pegou mais leve com Marina Silva (Rede) e com Álvaro Dias (Podemos). Mas só foi mesmo generoso com seu PPS, mais especificamente com o ministro da Defesa Raul Jungmann, que considera um bom nome para Presidência. Ouça a entrevista.

As críticas de Cristovam reforçam a discussão sobre o que é ser esquerda, e o que exatamente a esquerda defende. Indo mais adiante: o que diferencia a dita esquerda moderna da esquerda apontada como atrasada. Para Cristovam Buarque essa diferença está no conceito de Estado. O mesmo conceito que antes separava direita de esquerda, agora separa a esquerda atrasada da esquerda moderna, conforme o senador pernambucano eleito por Brasília.

No entendimento de Cristovam, as duas esquerdas seguem dando um lugar de destaque ao Estado. Mas uma se preocuparia em servir ao Estado. E a outra em servir ao público. É aí quando reforça as críticas a Lula e Ciro Gomes. Para ele, os dois defendem a estatização pura e simples, nos moldes defendidos ainda nos anos 50 e 60 do século passado. É a esquerda atrasada, segundo o senador.

Já o objetivo da dita esquerda moderna – ainda segundo Cristovam – não é fortalecer e agigantar o Estado, mas assegurar serviços ao público. E isso, conforme ressalta, pode acontecer inclusive através de instituições privadas. Cita o caso de um hospital: não é necessário que seja estatal, desde que garanta o atendimento ao público.

No rol de críticas que relaciona, Cristovão Buarque lamenta que o debate em torno das eleições de 2018 esteja se dando em torno de nomes, não exatamente de modelos ou projetos de país que cada um defenda.

Esta última colocação é importante ser ressaltada: o Brasil ainda não se deteve um só instante em discutir que tipo de país cada candidato oferece. Cabe avaliar o que cada candidato da esquerda oferece como caminho de fortalecimento e transformação do país. E também que ideia de Nação cada um abraça.

O que parece razoável é que o Brasil possa discutir os rumos que vai tomar a partir da escolha que fizer em 2018. Pode ser que um eleitor queira um estado mais forte e mais presente – e quem assim defende pode concordar tranquilamente com Lula, ou Ciro, ou mesmo Marina. Quem acha que o foco do governo deve ser o público – mesmo que isso se dê através de instituições privadas – pode avaliar se esses candidatos atendem a tal perspectiva, ou se é preciso buscar outras alternativas, como Jungmann ou mesmo nomes da centro-direita, como Geraldo Alckmin.

Também é preciso avaliar quem, além do melhor projeto de país, tem os caminhos efetivos para implementá-lo: quem pode unir, quem pode abraçar uma proposta de reconciliação nacional.

Não são condições fáceis. Mas é razoável que os brasileiros façam um esforço no sentido de refletir quem melhor traduz os caminhos desejados. E aí cabe avaliar todos: à esquerda, ao centro e à direita.