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Alckmin tenta ser candidato que centro ainda não tem

Geraldo Alckmin: manifesto na convenção do PSDB do dia 9 vai tentar esboçar o discurso que busca encantar o eleitorado de centro

 

O governador Geraldo Alckmin anunciou que aceita ser o novo presidente do PSDB. Não era o que queria. Mas precisa ter o partido unido para tentar uma tarefa mais difícil: se apresentar como a alternativa do centro do espectro político, que flerta (e namora, e casa) com o grande capital. O centro está órfão de opções, o que significa dizer que a maior fatia do eleitorado ainda carece de um candidato para chamar de seu.

Tanto Lula (PT) quanto Ciro (PDT) e até Jair Bolsonaro (PSC) tenta lançar pontes para esse eleitorado. Lula vem tendo mais sucesso, mas uma parte dos que fazem opção pelo petista, hoje, o fazem por carência de alternativas. É aí onde Alckmin e o PSDB desejam se firmar como a opção do centro.

Outros já tentaram. João Dória Jr chegou a empolga, mas isso já faz uns seis meses – um século em tempos de campanha. Outro que parece ter gerado alguma expectativa – especialmente no grande capital – foi Luciano Huck. Mas o apresentador escapuliu da disputa: não será candidato a nada. Henrique Meireles se aproxima de Rodrigo Maia (DEM) sonhando em ser essa opção, mas não encanta nem mesmo o grande capital, de onde surgiu para o mundo político. Joaquim Barbosa não dialoga com mercado, mas faria um bom estrado na classe média. Também são muitas as dúvidas sobre sua candidatura.

Diante desse cenário em que o centro está sem um candidato para chamar efetivamente de seu, Geraldo Alckmin tenta apresentar suas credenciais e seu discurso. Depois de vencer a refrega interna contra Doria – que chegou-se a imaginar perdida –, o governador de São Paulo desembarca na convenção do partido, dia 9 de dezembro, com dois desafios. O primeiro, de assumir a presidência tucana sem produzir rusgas entre os dois grupos que dividem o partido. Segundo, lançar um sinal para a nação, e mais ainda para o eleitorado do centro.

Para tanto, o PSDB prepara um manifesto. Será uma espécie de compromisso do partido com a nação, quase um reposicionamento ideológico – ou uma forma de assumir o que realmente é desde que chegou ao poder, em 1994. Vai reafirmar diretrizes liberais, onde a ideia do Estado eficiente e indutor tem lugar central. Mas vai fazer acenos para a esquerda, abraçando teses do “estado moderno” que tem uma preocupação social.

Na prática, será uma espécie de resumo do programa governo de Alckmin. Será o sumo do discurso de campanha, com o qual Alckmim deseja conquistar especialmente esse eleitorado de centro.

 

O outro desafio de Alckmin: explicar-se

Está no Supremo Tribunal Federal um pedido da Procuradoria Gerald da República, que pede investigação contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O Supremo ainda vai ter que decidir sobre a matéria. Mas, em tempos de Lava Jato em que meio mundo político está envolvido em escândalos, é uma pedra no sapato de Alckmin.

Dependendo do encaminhamento, pode deixar a dúvida no ar – caso em que o processo fica estacionado e não há decisão sobre o caso. Pode lançar de uma vez por todas o nome do governador na lama, se evidenciar situações embaraçosas, como acontece com tantos outros políticos. Ou pode salvar a imagem do tucano, caso não traga evodências consistentes.

De qualquer forma, Alckmin terá que se explicar. E o cidadão está atento.