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Temer se transforma no cabo eleitoral que ninguém deseja


Presidente Michel Temer: como ocrreu com Sarney em 2018, o cabo eleitoral que ninguém quer em 2018

 

Até a campanha pra valer, ainda faltam uns oito meses. Mas, no cenário de hoje, estamos nos encaminhando para a repetição da eleição de 1989, quando nenhum candidato à Presidência da República se apresentou como o representante do presidente em Exercício. Em 1989, ninguém dizia que era aliado de Sarney – nem mesmo Ulysses Guimarães, que havia sido uma espécia de primeiro-ministro, ou de segundo presidente.

Até agora, o presidente Michel Temer vai se tornando um capo eleitoral às avessas. Ninguém quer estar colado nele – e aí está uma das razões mais óbvias para o rompimento do PSDB com o Planalto, ainda que depois de longa indecisão que está passando a fatura. O significado de Temer como discurso de campanha pode ser medido na discussão sobre a reforma da Previdência.

Muitos deputados acham que a reforma é antipopular. Isso já seria um motivo para muitos deles deixarem de votara tal reforma neste final de ano, há apenas dez meses da votação que dirá se voltam ou não à Câmara. Mas o que tem afastado mesmo boa parte dos parlamentares da ideia de votar pela reforma da Previdência é a possibilidade de ter seu nome associado ao governo. O cálculo é mais ou menos este: grave não é ser a favor da reforma; grave é ser a favor de Temer.

Se esse cálculo vale para deputado, imagine para os que vão disputar cargos majoritários, sobretudo a Presidência da República. Como na primeira eleição presidencial pós-redemocratização, todo mundo quer se mostrar contra o governo, ainda que esteja lá até o pescoço. Em 1989, nem Ulisses, nem Aureliano abraçaram Sarney. Collor, Lula Brizola e Covas, para ficar apenas nos quatro mais votados, seguiam a mesma linha, com discursos agressivos.

Agora, todo mundo quer ser o anti-Temer. Lula, Bolsonaro, Ciro e até Alckmin seguem essa linha. Ninguém quer ganhar o rótulo de aliado do presidente de plantão.

No Palácio do Planalto, ainda há assessores que pensam que a realidade será diferente em 2018. Apostam em uma recuperação substantiva da economia, especialmente a retomada do emprego. E, se isso ocorrer, acreditam que o vento soprará a favor do Temer. Daí, surgirão os aliados de palanque.

Pode até ser. Mas, até ágora, certo mesmo é que não haverá convite para Temer subir em palanques eleitorais em 2018.

 

Qual o papel do governo federal

Há uma enorme diferença entre querer ficar distante de Michel Temer e fora do governo. Muitos políticos, em 2018, vão repudiar o discurso que os associe a Temer. Mas não desapegam dos espaços de poder, dos cargos de governo. Especialmente de cargos com grande capacidade de interferir nas ações políticas – por exemplo, os com assento em Ministérios como o das Cidades ou em órgãos como a Caixa Econonômica.

Esse vai ser um diferencial importante: ter acesso aos recursos públicos. Daí, vai ser uma boa guerra a indicação de substitutos nesses ministérios, na reforma ministerial do início de abril. Os mais de 15 novos ocupantes no primeiro escalão terão três meses para liberação de recursos – já que a partir de julho a lei eleitoral impõe uma série de limitações. Nesse período, ter um indicado na Esplanada faz muita diferença.