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Às 10h10, o Brasil completa R$ 2 tri em impostos este ano


Impostômetro: 23 antes que em 2016, Brasil bate a marca de R$ 2 trilhões em impostos recolhidos

 

Pode marcar no relógio: às 10h10 (horário de Teresina) desta quarta-feira, dia 6 de dezembro, o Brasil alcança a marca de R$ 2 trilhões em impostos arrecadados desde primeiro de janeiro deste ano. O horário é uma projeção: de fato, nos cofres públicos, a marca pode acontecer uns segundos antes ou uns segundos depois, mas é certo que o país atinge essa marca, conforme monitoramento feito pelo “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo.

O número redondo que é registrado esta manhã tem dois olhares. Um positivo e outro negativo. O positivo é que esse valor traduz um pouco da recuperação da economia. A marca de R$ 2 trilhões em impostos arrecadados será alcançada 23 dias antes do registro de 2016, quando a barreira dos R$ 2 tri foi rompida no dia 29 de dezembro.

Ainda nesse olhar positivo, significa que o brasileiro consumiu mais. Comprou mais. E, como conseqüência, recolheu mais impostos. É positivo porque encerra a brutal recessão construída no início da década e que teve seus momentos mais dramáticos em 2015 e 2016.

Vale lembrar, em 2015 o PIB nacional teve uma queda de 3,8%. Depois da queda, o coice: em 2016, a redução do PIB chegou a 3,6%, configurando no biênio a maior recessão da história do país. Uma recessão tão brutal que, segundo especialistas, só será plenamente recuperada em um percurso de dez anos.

 A boa notícia é que a recuperação começou em 2017, ainda que timidamente. As projeções indicam que o PIB deve crescer perto de 1%. Os dados do “Impostômetro” são um reforço dessa leitura: a economia reagiu e a arrecadação de tributos também.

Mas é obvio que os dados do “Impostômetro” não traduzem apenas esse lado positivo. Há aumento de imposto também por conta da mudança de alíquotas.

Vamos lembrar apenas dois fatos. O primeiro, de âmbito nacional: em julho o governo federal decidiu aumentar o Cofins sobre combustíveis. Portanto, mais imposto para todos – independente do aumento da atividade econômica. O outro fato é local: aqui, em julho, o governo do Estado alterou (para cima) as alíquotas de diversos produtos. E tornou a aumentar em outubro. Também gera mais arrecada, mesmo sem haver aumento de consumo ou de mais atividade na economia.

Como o “Impostômetro” é a soma de todos os tributos recolhidos pela União, Estados e Municípios, ele traduz todos esses movimentos. Daí, o recorde de R$ 2 trilhões recolhidos em tempo tão curto é uma informação que pode ser lida de duas maneiras. É um copo meio cheio, pela recuperação econômica. E também um copo meio vazio, pela teimosia dos governos em aumentarem os tributos.