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Adolescentes respondem por um quintos dos nascimentos


Gravidez na adolescência: um quinto dos nascimentos vem de adolescnetes de 10 a 19 anos

 

Dois estudos divulgados recentemente apontam um quadro preocupante: o número de adolescentes que dão à luz. Um dos estudos é do Ipea, e mostra que, de cada cinco crianças que nascem no Brasil, uma tem como mãe adolescente entre 10 e 19 anos. Outro estudo, realizado especificamente em São Paulo, revela que boa parte das adolescentes engravida deliberadamente.

Os dados do Ipea apontam para o problema em si, já que ser mãe em idade tão precoce traz uma série de conseqüências para a mãe, o filho e o entorno familiar. Uma dessas conseqüências é a relação da adolescente com a escola: de acordo com o Ipea, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola. Tem mais: 58% não estudam, nem trabalham.

Os números indicam que essas adolescentes que viram mães comprometem a formação e a possibilidade de uma inserção diferenciada no mercado de trabalho futuro. Há, portanto, um impacto social imediato, que pode se agravar ainda mais se o entorno familiar não tem as condições para sustentar a família nascente.

Há outras implicações. Ser mãe ainda em fase de formação gera um impacto poderoso no próprio desenvolvimento físico da adolescente. Também tem o impacto psicológico, em criaturas que não têm a real noção do desafio de ser mãe. Para completar, essas adolescentes – sem o amadurecimento devido – terminam tendo limitações na própria criação do filho.

A pesquisa do Ipea pode sugerir que as adolescentes são vítimas do desconhecimento sobre sexualidade, que impede que tenham as precauções necessárias para evitar a gravidez. Na maioria dos casos, isso é verdade. Mas um outro estudo, feito no estado de São Paulo, mostra que uma fatia razoável das adolescentes engravida deliberadamente. Elas fazem a opção de engravidar.

Essa opção racionalmente escolhida pode não significar consciência. Há muitas que tomam a decisão por birra (por exemplo, em reação ao controle familiar) ou por afirmação. É como se o ato de engravidar as fizesse mulher mais cedo, sem a consciência efetiva das muitas implicações que a gravidez traz.

Os dois estudos, no entanto, diz algo que parece óbvio: alguma coisa não está fuincionando bem. Há reconhecimento de que a maior parte das gravidezes de adolescentes é inesperada. E mesmo no caso das opções racionais (por birra ou afirmação) mostram que a relação sobretudo da família com as adolescente está incompleta.

Os dados devem servir de alerta. Para as famílias e também para as escolas – que bem poderiam ter um papel mais destacado nesse contexto.