Cidadeverde.com

Quebra de sigilo é ‘último presente’ de Aécio ao PSDB


Senador Aécio Neves: problemas com a Justiça que criam mais dificuldades para o PSDB

 

A dois dias da convenção que escolherá o novo comando do PSDB, o presidente licenciado do partido, o senador Aécio Neves (MG), conseguiu piorar a já muito complicada situação da sigla. A decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, ontem, de quebrar o sigilo bancário e fiscal do senador é o tipo de presente que o tucanato não gostaria de ganhar. A quebra de sigilo empana a convenção e deve fortalecer ainda mais a estratégia do partido de simplesmente esconder o senador no evento de amanhã.

O PSDB vive uma séria crise de identidade, sem estar claramente vinculado a um discurso – ou pelo menos a um discurso positivo, capaz de encantar e mobilizar a cidadania. Aécio ajudou muito a levar o partido a perder suas principais referências: o escândalo particular do senador mineiro, junto com a teimosia de permanecer à frente da sigla, afastou do tucanato o discurso ético. A insistência de Aécio em permanecer no governo Michel Temer colou no PSDB o selo do fisiologismo e até o da ineficiência – preço pago pela associação a um governo de baixíssima avaliação.

Sob a liderança do senador Aécio Neves (MG), o PSDB quase chegou à presidência, em 2014. No segundo turno, praticamente dividiu o país ao meio com Dilma Rousseff (PT). Mas esse capital foi pelo ralo. E esvaiu-se especialmente desde maio, quando vieram a público as gravações da delação dos donos da JBS. Aécio foi pego, digamos, com a boca na botija. E não teve a grandeza de afastar-se do partido. Tampouco o partido – talvez cômodo em um punhado de cargos no governo – não esboçou reação suficiente para tirar Aécio do caminho.

Pois outra vez o senador se transforma em uma gigantesca pedra a bloquear o caminho dos tucanos, às véspera da convenção que escolherá o seu sucessor na presidência da sigla. Se aparecer na convenção, Aécio chamará mais atenção que o seu sucessor, o governador Geralçdo Alckmin (SP), que gostaria de fazer do evento o primeiro grande momento da campanha à presidência da República.

É provável que, mesmo Aécio ausente, Alckmin tenha que se preocupar em responder algumas questões sobre o mineiro.

Certamente não era o desfecho imaginado por Aécio para sua fase como presidente do PSDB. Tampouco é o início sonhado por Geraldo Alckmin, que vê bastante cambaleantes os primeiros passos da caminhada que inicia com a intenção de chegar ao Palácio do Planalto.