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Votação da reforma da Previdência, talvez nem em fevereiro

Deputado Rodrigo Maia: empenho pela reforma da Previdência, que pode ficar para depois das eleições de 2018

 

O desencontro de expectativas de liderança do governo a respeito da Reforma da Previdência parece indicar o óbvio: a reforma não sai. Este ano, não sai mesmo. Sequer será votada na Câmara. E muito provavelmente nem em fevereiro.

A declaração do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), dizendo que a votação ficaria para fevereiro, gerou irritação no Planalto e em outras lideranças governistas, como o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mas, na prático, deixou o rei nu: a reforma não tem o apoio necessário para seguir adiante. Pelo menos agora!

Ainda assim, Rodrigo tenta que a matéria seja pelo menos discutida na semana que vem. Isso será possível. Nada além disso. É um ganho de prazo para um esforço a ser desenvolvido em fevereiro, quando a reforma poderia ir direto para a votação.

Á intenção do presidente da Câmara, no entanto, esbarra no óbvio: a cabeça dos deputados está plenamente sintonizada com as próximas eleições. Quase todo mundo é candidato à renovação do mandato – ou vai em busca de um outro posto. Votar a reforma, um tema de baixa popularidade, não vai animar muitos parlamentares que buscam a simpatia do eleitor.

Daí fica a pergunta: quando pode ser votada a reforma?

Alguns parlamentares avaliam que pode ficar para depois da eleição, em outubro ou novembro do ano que vem. Ainda segundo essa avaliação, os parlamentares governistas firmariam um compromisso com o presidente Michel Temer para votar logo após o pleito eleitoral.

Mais um cálculo que tende a não se concretizar. Com baixo apoio popular, o presidente não tem conseguido – pelo menos no caso da reforma – fazer valer a sempre considerável força de governo. Depois das eleições de outubro do ano que vem, não terá nem a força popular nem a força de governo.

Se alguma coisa da reforma da Previdência for apreciada depois das eleições, o diálogo do Congresso já tende a ser com o próximo presidente, não com o que terá apenas mais dois meses de mandato. Tudo isso quer dizer o seguinte: a reforma da Previdência corre o risco de sequer ser apreciada, mesmo em sua versão mais desidratada, essa proposta bem light.

Ela pode até ser votada, inclusive em uma versão mais hard, se assim o próximo presidente quiser. O eleito, seja quem for, pode sugerir: votem logo para que eu entre sem esse peso no começo do mandato. E aí não faltará quem queira fazer festa com o futuro governo.

Fazer cortesia para colher cortesia maior depois.