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Nova ‘prisão’ de Odebrecht tem 3.000 m2 e muito luxo

Marcelo Odebrecht: na próxima terça o empreiteiro deixa Curitiba e volta para a mensão de 3.000 m² em exclusivíssimo bairro da cidade de São Paulo

 

Na próxima terça-feira, o mega empresário Marcelo Odebrecht deixa o cárcere. E vai para uma prisão domiciliar. Não é o que sonhava, ele o Príncipe dos Empreiteiros, uma espécie de Dono do Poder a mexer quase todas as varetas dos governos, todos os governos. Mas a mudança vai ser uma salto da água para o vinho – no caso, um vinho de excelente safra e servido em taça de cristal.

Por força da Lava Jato, Marcelo Odebrecht cumpriu o que ninguém imaginava: dois anos e meio de cadeia, em regime fechado, em uma sela de 12 m2 dividida com outros condenados por corrupção. Agora, por força da delação em que entregou meio mundo político, vai cumprir nova etapa da condenação de 19 anos e 4 meses.

A nova “prisão” do Príncipe das Empreiteiras é sua própria moradia, em São Paulo. Tem mais de 3.000 m2, situada em um condomínio exclusivíssimo, com ampla piscina, sauna, área de jogos, cinema, quadra esportiva e até um jardim particular assinado por Burle Marx. É a mesma casa onde foi preso pela PF, em 19 de junho de 2015.

Marcelo não vai poder sair de casa pelos próximos anos. Alguém pode pensar: com tanto luxo, nem precisa. Mas pense mais um pouco e imagine a nova vida do empreiteiro que viajava pelo mundo, hospedando-se em hotéis seis estrelas e desfrutando de tudo o que há de melhor. E na maior liberdade.

O todo-poderoso da Odebrecht e controlador das ações dos governos da República se junta a outros poderosos também alvo da Lava Jato. Por exemplo, o cearense Sérgio Machado, que surrupiou milhões e milhões da Transpetro. Ao fazer acordo de delação, Machado devolveu R$ 75 milhões e recebeu uma condenação a ser cumprida quase toda dentro de casa. E que casa!

A casa de Sérgio, no caríssimo bairro Dunas, em Fortaleza, tem piscina, quadras de esporte e uma garagem que cabe dez carros. Por dois anos e três meses ele não pode arredar o pé desse conforto. Depois disso, poderá sair para eventos pontuais. Mais tarde poderá sair de vez e desfrutar de parte do que amealhou em sua trajetória.
 

Prisão reduzida e impunidade

Reparando bem, ver uma longa condenação – 19 anos para Odebrecht e 20 para Machado – transformada em alguns poucos anos de reclusão em uma mansão deixa muita gente com a sensação de impunidade. E é essa é parte mais substantiva das criticas às delações premiadas – que seriam muito generosas com os criminosos do colarinho branco.

Mas há de se reconhecer dois aspectos importantes. Primeiro, o arrefecimento das condenações é fruto de revelações importantes. Marcelo Odebrecht, por exemplo, levou para a Justiça uma boa fatia do Congresso. Segundo, a efetiva condenação de poderosos. Antes de Lava Jato, imaginar um grande empresário (ou um importante político) na cadeia, era quase um desvario.

Agora, prestes a deixar Curitiba, Odebrecht tem que colocar no currículo dois anos e meio de reclusão em uma cela onde o sanitário é um buraco no chão. Convenhamos, é uma mudança e tanto.